O lote do nº1 da Rua da Barca poderá vir a ter um prédio de 20,5 metros de altura. Fora do espectro de protecção do Instituto Cultural, por não ter obtido consenso para entrar na lista de imóveis classificados, deixa de ser exigida a reparação do edifício existente de acordo com o aspecto exterior. O lote fica assim totalmente nas mãos dos proprietários, que defendem a demolição da casa. Este projecto e a reconstrução do Centro Católico estão novamente em fase de recolha de opiniões
Liane Ferreira
Desde 2014 que o nº1 da Rua da Barca anda envolto em polémica, primeiro por ter sido parcialmente demolido por engano, com autorização dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), e depois porque o Instituto Cultural (IC) queria classificar o imóvel, mas não houve consenso na sociedade. Deste modo, a planta de condições urbanísticas que dividia o lote em três áreas e obrigava à reconstrução da moradia de três andares com 100 anos foi rejeitada para dar lugar a uma nova.
A nova planta que se encontra em consulta pública, criou um lote único de 192 metros quadrados, onde é permitida a construção de um edifício com 20,5 metros de altura, sem quaisquer condicionamentos urbanísticos definidos pelo IC.
Deste modo, a vontade dos três proprietários do lote poderá ser cumprida, no sentido de avançarem com a demolição do prédio e reconstrução. Este desejo tem sido repetidamente afirmado, inclusive, numa petição ao Chefe do Executivo, instando o Governo a autorizar a continuação da demolição do prédio.
O IC ainda tentou a classificação, porém, o prédio não fez parte da lista final de nove imóveis a proteger, anunciada em Janeiro de 2017, porque não obteve o consenso da população, nem a concordância dos proprietários e dos 13 membros do Conselho do Património Cultural.
O anterior presidente do IC, Ung Vai Meng, mostrou-se sempre confiante na reabilitação e classificação, porque tinha potencial de restauro e era um edifício representativo naquela rua. Nesse sentido, salientou que o principal objectivo da protecção do património não é atrair turistas, mas preservar as memórias para reconstruir o sentimento identitário e de pertença dos residentes.
Centro Católico com nova ponte pedonal
No Verão de 2017 esteve pela primeira vez em discussão a planta de condições urbanísticas do Centro Católico, localizado na intercepção da Rua do Campo com a Avenida da Praia Grande e que será reconstruído. O projecto voltou para trás e está novamente em consulta, sendo que desta vez, foi eliminada uma das duas pontes pedonais que se pretendia construir.
De acordo com a nova planta, deixa de ser necessário construir uma ponte pedonal a ligar o Centro ao outro lado da Rua do Campo, deixando apenas a obrigatoriedade de construção de uma ponte a ligar o edifício ao China Plaza, na Avenida da Praia Grande.
De resto, as condicionantes mantêm-se. Inserido na zona de imediações do Farol da Guia, o novo Centro poderá ter até 75 metros de altura, mas é necessário o parecer do Instituto Cultural em todas as fases do projecto. O aspecto exterior do edifício deve estar em harmonia com o sítio classificado ao redor.
Em Dezembro de 2017, o Bispo Stephen Lee inaugurou o Gabinete para a Reconstrução do Centro Católico e, segundo o semanário O Clarim, afirmou que a reabilitação do local “será como um marco para toda a Diocese”.
O Centro deverá incluir três áreas: formação da fé; sala de exposições para mostrar a vida da Igreja em Macau e da Igreja Católica; hotel de duas estrelas com cerca de 200 quartos para peregrinos e visitantes.
Escolas e instalações desportivas na Zona A
Do grupo de plantas em consulta estão também seis lotes na zona A dos Novos Aterros e uma obra governamental na Estrada de Seac Pai Van.
Na zona A, nos lotes C5, C6, B2(a) e C2 está prevista a construção de equipamentos escolares, sendo que nos três primeiros os prédios podem chegar aos 50 metros de altura. O último tem um limite de 20,5 metros. Já os terrenos B2(b) e C1 são destinados a instalações desportivas, a primeira com 50 metros e a segunda com 20,5 metros.
Por outro lado, em Seac Pai Van pretende-se construir um parque de estacionamento público e escritórios, num terreno com 4.175 metros quadrados. O prédio a ser construído pode erguer-se até 30,5 metros, mas deve preservar a cobertura vegetal dentro do lote e ser adoptado um plano para a zona verde estar em harmonia com a paisagem ecológica.



