As obras de reconstrução do antigo restaurante “Lok Kwok”, na Avenida de Almeida Ribeiro, ainda não arrancaram por ser necessário unificar os regimes jurídicos dos lotes envolvidos, avançou a DSSOPT à TRIBUNA DE MACAU. Só depois dessa etapa poderá ser emitida a licença de obras. Quando o projecto avançar, além de ser obrigado a manter a fachada original, o proprietário terá de recriar um espaço interior com as características arquitectónicas do histórico restaurante de “dim sum”, revelou o Instituto Cultural
Liane Ferreira
Em Abril de 2017, esperava-se que estivesse para breve o início das obras de reconstrução do “Lok Kwok”, antigo restaurante de “dim sum”, localizado na Avenida de Almeida Ribeiro, mas o processo ainda não arrancou devido a formalidades relacionadas com a natureza dos lotes.
Em resposta ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) explicou que “foi emitida a Planta de Condições Urbanísticas para o lote e o projecto de construção da obra apresentado pelo requerente foi aprovado por esta Direcção de Serviços”. No entanto, “uma vez que o projecto implica o desenvolvimento conjunto de vários lotes, incluindo os terrenos de propriedade plena (designados vulgarmente por “terrenos privados”) e os terrenos concedidos em regime de aforamento, o seu proprietário deve agora tratar das formalidades sobre a unificação dos regimes jurídicos dos lotes”.
“Uma vez reunidas as condições, poderá requerer a emissão da licença de obra. Os respectivos procedimentos legais estão em curso”, garante a DSSOPT.
Nesse contexto, o Instituto Cultural (IC) esclareceu que os proprietários do restaurante “Lok Kwok submeteram, em 2016, a apresentação do projecto à DSSOPT, que por sua vez, pediu um parecer ao Instituto.
Assim, além do IC ter “exigido aos proprietários que preservem rigorosamente a fachada original”, como já era de conhecimento público, também quer “que no projecto futuro mantenham um determinado espaço interior de modo a recriar as características arquitectónicas do restaurante original”.
O Instituto Cultural adiantou a este jornal que, quanto à utilização do imóvel, “o destino final será confirmado pelo proprietário porque o edifício é a propriedade privada”. “Contudo, de acordo com as informações do projecto recebidas pelo IC, este edifício será destinado a pensão e comércio”, adiantou o organismo, acrescentando ser preciso aguardar a emissão de licença de construção para se dar início ao projecto, cujo progresso o IC promete continuar a acompanhar.
A situação de decadência do edifício do “Lok Kwok”, situado no cruzamento entre a Avenida de Almeida Ribeiro e Rua 5 de Outubro, conheceu a “luz do dia” em 2014, quando o Instituto Cultural detectou problemas graves nas paredes exteriores, durante uma inspecção. Com a entrada em vigor da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, o Governo iniciou os trabalhos para tratamento do património classificado e o IC encetou contactos com o proprietário, que de acordo com a legislação tem de reconstruir o imóvel com os traços originais, sendo proibido construir uma parte nova no mesmo edifício.
O edifício terá sido classificado como de interesse arquitectónico, mas corria o ano de 1998 e o seu interior seria demolido, muito antes da Lei de Salvaguarda do Património. Entretanto, a estrutura do edifício continuou-se a deteriorar, ficando em ruínas e restando apenas as fachadas que se têm mantido de pé, graças a estruturas de apoio.
Com três andares, o prédio foi construído em 1913 e em 1938 o restaurante mudou de nome, para “Lok kwok”, sendo conhecido como um dos maiores de “dim sum” no território. Devido à concorrência elevada na mesma zona, o restaurante encerrou portas em 1990 e ficou ao abandono.



