Cerca de 70 compradores de lojas de um projecto imobiliário em Jiangmen pediram ajuda aos deputados Ella Lei e Leong Sun Iok, queixando-se de não terem recebido nem as fracções, cujas obras estão suspensas, nem o dinheiro investido. O projecto terá implicado 368 investidores locais e 20 milhões de renminbis

 

Rima Cui

 

Acompanhados pelos deputados Ella Lei e Leong Sun Iok, numa conferência de imprensa, 50 residentes queixaram-se de ter perdido investimentos feitos num projecto imobiliário em Jiangmen (centro de transacções “Guangbohui”), cuja campanha publicitária citava o nome do Chefe do Executivo e incluía várias fotografias suas. Recorde-se que Chui Sai On negou prontamente qualquer ligação ou investimento no “Guangbohui”.

Os deputados receberam pedidos de ajuda de 70 residentes, mas segundo os dados da empresa em causa, o projecto terá envolvido 368 investidores locais e um montante de cerca de 20 milhões de renminbis.

Um lesado assegurou que intermediários prometeram aos interessados um lucro anual de 5% a 8%, caso conseguissem arrendar as fracções adquiridas. De acordo com o jornal “Ou Mun”, alguns intermediários garantiram isenções de 30 mil a 60 mil renminbis, caso os investidores pagassem entre 50 mil e 100 mil renminbis.

No entanto, depois de assinar o contrato online, o promotor do empreendimento nunca chegou a entregar o acordo oficial ao governo de Jiangmen, como tinha garantido. Além disso, as obras dos espaços comerciais estão suspensas e sem sinais de avanços.

Embora tivesse assinado um acordo de devolução de verbas com alguns proprietários, num encontro realizado no início deste mês, o promotor alegou que “já não tem mais dinheiro e está a pedir a falência para reestruturar a empresa”, indicou um dos queixosos.

Outro lesado apontou que na China Continental muitos projectos imobiliários adoptam a mesma estratégia de convencer pessoas a comprar imóveis para mais tarde arrendar, o que gera preocupações de que o caso “Guangbohui” não seja um isolado. Por isso, espera que o Governo preste auxílio.

Segundo Ella Lei, os lesados pagaram cerca de 200 mil a 300 mil renminbis cada, sendo que a maioria comprou lojas. Apesar do Conselho de Consumidores da RAEM assegurar que vai recolher os dados dos proprietários em causa e negociar com Jiangmen, os lesados terão de contratar representantes legais para recuperar os prejuízos.

Os deputados instaram o Executivo a criar um mecanismo de coordenação com o Continente, no sentido de ajudar residentes a resolver conflitos e processos de investimento transfronteiriço, garantindo o direito de investirem no Interior da China.