O projecto piloto de trânsito inteligente foi lançado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego há dois meses, tendo já reduzido os tempos de espera no trânsito em 20%. Além do impacto no tráfego, haverá comunicação com a polícia para dar seguimento em tempo real a infracções às regras do trânsito. As aplicações para telemóvel associadas ao novo sistema deverão ser lançadas já no próximo mês
Salomé Fernandes
No espaço de dois meses de implementação de um projecto piloto de temporização de semáforos o congestionamento sofreu uma redução de 20% na zona da Avenida da Praia Grande, assegurou ontem a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT).
Lam Hin San, director do organismo, justificou a escolha de sete intersecções na zona da Avenida da Praia Grande para a aplicação piloto do aperfeiçoamento da configuração dos semáforos por se tratar de uma área da cidade com “mais congestionamento e tráfego mais complexo”. O âmbito de aplicação dos projectos de trânsito inteligente da DSAT alarga-se a quatro áreas principais: padrões de tráfego, serviços de autocarros, distribuição dos tempos de semáforos e sensores de incidentes relativos ao tráfego.
Através da análise de mega-dados de GPS recolhidos em tempo real de 900 autocarros, 100 táxis especiais e mais de 500 autocarros “shuttle-bus”, o sistema obtém os índices de congestionamento de diferentes vias e atribui cinco cores de acordo com a gravidade do congestionamento, sendo o verde escuro referente a “fluxo desimpedido” e o vermelho a “congestionamento grave”.
A situação de congestionamento das vias e sua previsão ficarão disponíveis através de uma aplicação móvel também para utilização dos cidadãos. A ferramenta vai disponibilizar informação sobre os percursos e o fluxo de passageiros de veículos que partem em horários diferentes. Para isso, utiliza dados de GPS dos autocarros públicos, registo de contactos de cartão pré-pago MacauPass e dados do sistema de localização de RFID, bem como os elementos relativos à frequência de partidas disponibilizados pelas companhias de autocarros.
Os resultados poderão ser utilizados para optimizar o controlo das carreiras de autocarros e a frequência das suas partidas, além de permitir aos utilizadores calcular o tempo da deslocação. Com vista à obtenção de mais dados para melhoria do sistema, a DSAT quer instalar GPS em mais veículos. Em causa poderão estar mais 1.500 táxis, tendo o director do organismo garantido que os veículos privados não vão ser utilizados para este efeito. Questionado sobre a instalação de GPS nas viaturas dos serviços públicos, Lam Hin San reconheceu ser uma “boa proposta”, sujeita a consideração.
Combinando a inteligência artificial e a computação em nuvem de vídeo do tráfego, o sistema também tem em vista a detecção de incidentes. “O sistema percebe automaticamente por meio de sensores os incidentes de tráfego que ocorrem em tempo real na zona, como por exemplo, congestionamento de trânsito, paragem anormal, circulação de veículo em sentido oposto, assim como a densidade de automóveis e motociclos, para além de fazer alerta atempadamente e apresentação dos totais por classificação”, especificou a DSAT, num comunicado.
Assim, caso alguém infrinja as regras do trânsito e isso seja detectado em tempo real, as autoridades serão alertadas para agirem “in loco”. No entanto, os membros do organismo indicaram que as imagens utilizadas serão de baixa resolução por causa da protecção dos dados pessoais. O objectivo é que qualquer acidente possa ser detectado, sem que a qualidade da imagem comprometa a privacidade dos indivíduos.
À distância de um telemóvel
Está para breve a tecnologia que vai permitir às pessoas organizarem melhor os seus percursos com base na informação proveniente deste sistema. Prevê-se que as várias aplicações no âmbito do trânsito inteligente sejam lançadas em Janeiro de 2019.
O sistema da aplicação móvel que será criada para que os cidadãos estejam a par da situação de congestionamento das vias de forma e possam preparar melhor as suas deslocações, vai também analisar a circulação de motociclos e ciclomotores, incluindo o número médio das viaturas e o impacto no tráfego do local. Multifuncional, vai disponibilizar informações ao público sobre as principais artérias da cidade, sendo que com a instalação de mais aparelhos de GPS, as vias secundarias poderão também ser abrangidas.
Outro dos projectos é voltado para os autocarros. Por um lado, foi implementado um programa de detecção de velocidade dos veículos. Quando, por exemplo, há uma travagem brusca, o sistema avisa o condutor para ter cuidado, com vista a assegurar maior conforto para os passageiros enquanto viajam. Por outro lado, está a ser desenvolvida uma aplicação para pagamento da tarifa através de telemóvel, com código QR.
“Actualmente, 2.000 pessoas já estão a usar esta ‘app’ para pagamento de autocarros e podemos promover esta medida gradualmente. Espero que seja assim porque tenho de usar sempre o cartão para pagar e acho muito aborrecido. Se pudesse usar logo o telemóvel era mais prático. As companhias vão apresentar-vos estas aplicações quando estiverem num estado mais maduro”, disse Lam Hin San. Estas funções deverão ser lançadas a par de um melhoramento do serviço de localização dos autocarros, ao qual 220 mil utilizadores acederam entre Janeiro e Novembro deste ano.
Temporização dos semáforos
As cores são fixas, a alternância entre elas não. A DSAT está a trabalhar num sistema de melhoria dos tempos dos semáforos. Isto será feito com uma análise em tempo real da situação do tráfego, mas também com a pesquisa do funcionamento em períodos anteriores dos tempos de atraso, número de vezes de paragem e comprimento das filas de espera.
“O trânsito é uma matéria muito importante para a cidade de Macau porque envolve muitos aspectos diferentes e é uma situação que está sempre a mudar. É um dos temas mais desafiantes para uma cidade”, disse Jintong Zhu. O especialista em inteligência de máquinas da Alibaba Cloud acrescentou que “Macau tem as suas próprias características, é pequena, pelo que a distância entre cruzamentos também é muito pouca, por isso a margem de aperfeiçoamento é mais difícil e muito maior”.
A presença de veículos que o especialista classifica como “imprevisíveis” – já que os motociclos conseguem passar entre carros e os autocarros precisam de mais espaço para realizar manobras – consistiu um dos desafios. Por isso, Jintong Zhu sublinhou o investimento feito em Macau e a adopção de medidas para solucionar os problemas existentes, como mudanças ao tempo em que a luz do semáforo permanece vermelha.
Lam Hin San, que considerou existir “uma colaboração boa com o grupo Alibaba”, frisou que esta medida pode resolver o problema. “Há muitos veículos motorizados em Macau e as estradas no total têm cerca de 230 mil quilómetros. Quando acrescentamos uma zebra ou uma passagem superior podemos não conseguir resolver o problema”, recordou.



