Mais de 100 estudantes do programa de estudos bilingue da Faculdade de Direito da Universidade de Macau realizaram acções de intercâmbio em universidades portuguesas, num espaço de quatro anos. A instituição de ensino superior garante estar a apostar em “tornar Macau numa base de treino bilingue”, algo que considera “crucial para o desenvolvimento sustentável da área da Grande Baía”
Salomé Fernandes
O programa de estudos bilingue lançado pela Faculdade de Direito da Universidade de Macau (UM) no ano lectivo de 2014/2015, dirigido a estudantes cuja língua materna é o Chinês, já deu a oportunidade a 110 estudantes de estudar Português numa universidade portuguesa. Os primeiros formandos deverão graduar-se no próximo ano, recordou a UM através de comunicado, assegurando terem sido aumentados os requisitos de proficiência em Português para este programa no ano lectivo 2017/2018.
“Estamos cientes da grande responsabilidade nos nossos ombros, e ainda temos um longo caminho a percorrer”, disse o reitor da UM. Yonghua Song anunciou que o Departamento de Português está a implementar diversas reformas, incluindo do currículo de licenciatura, a atribuição de bolsas de estudo especiais, o aumento da duração do período de estudo no exterior para os estudantes, a oferta de mais programas de pós-graduação e uma aposta na captação de mais estudantes internacionais.
Entre os projectos recentes encontra-se uma colaboração entre aquele departamento e a editora “Foreign Language Teaching and Research Press”, de Pequim, para a produção de uma série de livros traduzidos de clássicos em Chinês e Português. Surgiu também um projecto de tradução de literatura chinesa com a Faculdade de Artes da Universidade de Lisboa. Em ambos há alunos de mestrado e doutoramento envolvidos.
Para além de apoiar o papel da RAEM como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, o objectivo é “tornar Macau numa base de treino bilingue, crucial para o desenvolvimento sustentável da área da Grande Baía”, frisa a UM.
“Há 230 milhões de falantes de Português distribuídos por quatro continentes. Queremos ajudar os nossos alunos a desenvolver capacidades linguísticas que os ajudem a comunicar com confiança com falantes de Português”, disse a directora da Faculdade de Artes e Humanidades, Hong Gang Jin, referindo-se ao Centro de Treino e Ensino Bilingue Chinês-Português (CPBTTC, na sigla inglesa). Para isso, o CPBTTC vai apostar em quatro projectos principais.
“O primeiro é realizar estudos sistemáticos sobre o ensino do Português e as culturas chino-portuguesa. O segundo é estabelecer uma estrutura de referência para os alunos chineses da língua portuguesa e uma base de dados relacionada. A terceira é a formação de instrutores de língua portuguesa em Macau e na China Continental. A quarta é compilar material didáctico”, esclarece a UM.
Recorde-se que no mês passado o Departamento de Português abriu uma sala audiovisual e uma sala de estudo que serve para a aprendizagem de Português, métodos de ensino e de investigação na área. Além de dar informações sobre a cultura portuguesa, este espaço também acolherá regularmente palestras e exposições.



