Vinte e seis empresários de Macau estão em Maputo para participar em eventos oficiais e conhecer oportunidades de negócio. Há quem se tenha deslocado pela primeira vez a Moçambique atraído pelos seus mares. Hoje arranca um encontro empresarial sino-lusófono, onde a RAEM também tem uma palavra a dizer. De acordo com números do IPIM, entidade que organiza a participação da delegação, 160 pessoas inscreveram-se para fazer contactos com as empresas e associações de Macau
Fátima Almeida*
Em Maputo
Muitas mulheres usam vestidos coloridos de tecidos finos. É Inverno, uma época em que a chuva dá tréguas, e a temperatura não obriga a vestir manga comprida aos que vivem em Maputo, capital de Moçambique. Os que usam peças feitas de capulana, o pano tradicional do país, às vezes têm força suficiente para segurar à cabeça uma pesada bacia. Mesmo as crianças que vendem sinais de trânsito junto aos cruzamentos vestem calções. Os que trabalham em dia de descanso também andam de braços à mostra e alguns encaixam, dos ombros para baixo, uma veste carimbada com o slogan: “a vida é melhor quando estamos juntos”.
À primeira vista aquela capa florescente parece o escudo de um trabalhador da construção civil, obrigado a lutar contra a água que saiu de um largo buraco, mas fazendo uma pesquisa rápida, ficamos a saber que a frase de apelo à união teve origem na campanha de marketing de uma companhia de telecomunicações, identificada como a empresa líder da telefonia móvel em Moçambique. O homem de colete, embora corra para a o aparato das obras, pode ser apenas um vendedor de cartões com sorrisos “que nos ligam”.
Juntas e a sorrir estão também as crianças, de uniforme amarelo no infantário 1º de Maio, voando em balouços. É assim que o domingo nos arregala os olhos pela estrada entre o Aeroporto Internacional de Maputo e o Hotel Avenida, perto da Embaixada de Portugal em Moçambique. À saída do autocarro há vendedores adultos, com produtos típicos de África, tabaco, de tudo um pouco. Mas depressa nos apercebemos que afinal faltam rostos nos átrios dos escolas. As escadas do hotel, numa área central, são também paragem de crianças com sacos de amendoins pelos quais pedem 5 meticais (um valor tão pequeno que é difícil perceber o seu valor em patacas ou euros – 40 meticais são cerca de um euro traduzem-nos). Para trás ficaram ainda as imagens do mar, do restaurante Sagres, com traços de maresia e cachecóis de Portugal, em contraste.
Quando o Inverno parece dar os seus primeiros sinais trazido pelo vento já passa das 19:00 [uma da manhã na RAEM] e a delegação de Macau prepara-se para jantar. As árvores que dançam lá fora assustam e precipitam a ir buscar mais um casaco, mas o frio ainda não racha. Cerca de 26 empresários estão em Moçambique para participar na 50ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), que ontem foi inaugurada pelo Presidente da República de Moçambique, Armando Emílio Guebuza. A edição deste ano do certame reúne cerca de 2.700 empresas (mais 700 do que em 2013) de 26 países e territórios.
Hoje o grupo vai assistir ao Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, no qual irão participar o presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau – entidade que organiza a delegação da RAEM – e o secretário-geral do Secretariado Permanente do Fórum Macau. Na parte da tarde realizam-se as bolsas de contacto contando já com 160 pessoas de outras delegações que se inscreverem com interesse de dialogar com Macau e fomentar acordos.
Chao Kóc Keong é um dos 26 empresários de Macau que se desloca pela primeira vez a Moçambique para conhecer as possibilidades de negócios que podem resultar na sua recém-criada empresa. A cidade de Maputo começou a desenhar-se-lhe com um sorriso. “É a primeira vez que venho a Moçambique e pela primeira impressão as pessoas são muito simpáticas, paisagens belas”, disse ao JTM o director da “Hoi Fat Macau International Trading”.
O advogado decidiu apostar numa firma de exportações e importações também influenciado pela onda de oportunidades que há na China e nos países lusófonos. Em Moçambique está de olho precisamente nos mares. “A expectativa desta viagem é no âmbito dos negócios de importação e exportação, nomeadamente a exportação de mariscos. Para ver outros produtos ainda vamos visitar. Mas da conversa que tive com os colegas [da delegação] estamos a gostar muito”, expôs Chao Kóc Keong, que fala Português, e para quem Macau tem cumprido o seu papel. “Macau está a desempenhar a sua função e a servir como uma janela para a China e os Países lusófonos. Macau está a trabalhar muito para isso e o resultado é cada vez melhor”, rematou.
*A jornalista do JTM viajou para Moçambique no âmbito de uma delegação empresarial.




