O número de passageiros transportados pela Air Macau aumentou 16% no primeiro trimestre deste ano, período em que a taxa de ocupação dos seus voos subiu para 82%. O desempenho da companhia aérea contrasta com o panorama mundial, abalado em Março pelo maior abrandamento da procura em nove anos

 

Sérgio Terra

 

Apesar do mercado da aviação mundial, incluindo na região Ásia-Pacífico, estar a atravessar uma fase de menor fulgor, a Air Macau registou resultados operacionais muito positivos nos três primeiros meses do corrente ano. Com este bom arranque, começa já a ganhar forma no horizonte de 2019 a possibilidade da companhia aérea local registar lucros pelo 10º ano consecutivo e estabelecer mais um recorde de passageiros.

Dados da empresa, a que o Jornal TRIBUNA DE MACAU teve acesso, revelam que o volume de passageiros transportados pela Air Macau cresceu 16,1% para 885.600 entre Janeiro e Março, em comparação com o mesmo período de 2018. Este aumento também se reflectiu, naturalmente, na taxa de ocupação dos voos, que subiu 0,2 pontos percentuais para 82%.

Os mesmos dados, que não incluem a vertente financeira, mostram que a transportadora conseguiu progressos sólidos e equilibrados nos três primeiros meses deste ano tanto em termos da procura como da capacidade de oferta. O índice RPK (receitas derivadas dos passageiros por quilómetro), que avalia a procura real de transporte, e a componente ASK (lugares disponíveis por quilómetro), que indica a capacidade de transporte, avançaram 14,5% e 14,3%, respectivamente.

Estes números ganham ainda maior relevância se tivermos em conta que o ritmo de crescimento da Air Macau representou o triplo do mercado mundial. O nível da procura (RPK) aumentou apenas 4,8% no panorama internacional e 5,4% na região Ásia-Pacífico, enquanto o índice ASK cresceu 5,2% e 5,4%, respectivamente, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês). Já a taxa de ocupação dos voos decresceu 0,4 pontos percentuais para 80,6% no contexto mundial e manteve-se em 81,6% na Ásia-Pacífico, comparativamente ao primeiro trimestre do ano precedente.

A desaceleração no sector da aviação foi mais notória no mês de Março, com a procura a subir apenas 3,1%, o crescimento homólogo mais lento desde o início de 2010 e muito aquém da média de 7% registada nos últimos cinco anos. Na Ásia-Pacífico e na China, os acréscimos foram ainda mais modestos, ao atingirem 1,9% e 3%, respectivamente.

 

IATA cautelosa

Todavia, a IATA ressalvou que a base comparativa desse abrandamento acabou por ser parcialmente influenciada pelo feriado da Páscoa, que em 2018 foi celebrado em Março e este ano no mês de Abril. Incluindo os ajustes sazonais, a taxa de crescimento básica mantém-se relativamente estável nos 4,1% desde Outubro de 2018, explicou a entidade.

“Embora o crescimento no tráfego aéreo tenha desacelerado consideravelmente em Março, não vemos o mês como um termómetro para o resto do ano. Apesar disso, o pano de fundo da economia global tem-se tornado um pouco menos favorável, com o FMI a cortar recentemente a sua previsão para o PIB pela quarta vez nos últimos 12 meses”, comentou Alexandre de Juniac, director-geral e CEO da IATA, em comunicado.

Por outro lado, no capítulo do transporte aéreo, os resultados da companhia de “bandeira” da RAEM estão em linha com os do Aeroporto de Macau, onde o número de passageiros superou os 2,33 milhões até Março, traduzindo um acréscimo anual de 17%. Segundo informações da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM), o crescimento dos passageiros foi mais expressivo no segmento dos voos de baixo custo (mais 29%) do que entre as companhias convencionais (mais 11%) e assentou em três grandes mercados: China Continental (mais 28%), Sudeste Asiático (mais 14%) e Taiwan (mais 4%).

No mesmo período, o tráfego diário médio envolveu 25 mil passageiros e 205 movimentos de aeronaves.

Recorde-se que, de acordo com a CAM, o Aeroporto melhorou ainda mais as suas estatísticas em Abril e, inclusive, celebrou um recorde mensal de passageiros, fruto de um aumento de 19% para 800 mil. Em termos médios, a infra-estrutura contabilizava no mês passado 1.500 voos por semana, operados por 28 companhias para 55 cidades.