O Instituto Cultural pretende incluir novas manifestações no Inventário do Património Cultural Intangível, nomeadamente a procissão de Nossa Senhora dos Remédios e o Dia de Finados. Da lista de mais de duas dezenas de itens constam ainda manifestações macaenses, como o chá gordo, a Tuna Macaense e o “batê saia”

 

Catarina Pereira*

 

Várias manifestações macaenses e actos religiosos poderão ser incluídos no Inventário do Património Cultural Intangível. O Conselho do Património Cultural apoiou ontem a protecção da procissão de Nossa Senhora dos Remédios, promovida pela Paróquia de São Lourenço, e o Dia de Finados, celebrado a 1 de Novembro.

O Inventário já inclui o Dia dos Finados chinês, conhecido como ‘Cheng Ming’, no 15º dia após o solstício de primavera, no início de Abril, e o ‘Chong Yeong’, o dia de Culto dos Antepassados, a 9 de Setembro.

Na lista de novas manifestações culturais a serem protegidas constam ainda três propostas por macaenses. São elas o chá gordo, um lanche festivo com dezenas de iguarias, a Tuna Macaense, que toca músicas em patuá, e o “batê saia”, uma arte decorativa de recorte de papel de seda ou papel rendado.

“Há muitas manifestações porque Macau é ponto de encontro das culturas chinesa e ocidental. Temos várias comunidades étnicas e recursos [culturais] ricos”, defendeu ontem a presidente do Instituto Cultural, Leong Wai Man. Segundo disse, a lista discutida inclui 28 manifestações.

A presidente falou ainda no “chupa bao”, a “bifana de Macau”, uma costeleta de porco frita servida num pão de estilo português, muito popular nos restaurantes e cafés do território; e também nas “músicas de Guangdong”.

Wu Chou Kit, representante do Conselho, disse que os membros “concordaram com o conteúdo da lista” de manifestações propostas.

Além do inventário, Macau tem uma Lista do Património Cultural Intangível, na qual recentemente foram inscritas 12 novas manifestações, incluindo a dança folclórica portuguesa e a confecção dos pastéis de nata. A lista já inclui, desde 2019, as procissões católicas do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos e de Nossa Senhora de Fátima, a gastronomia macaense e o teatro em patuá.

 

À espera de plano para restaurar mais duas estátuas das Ruínas

Por outro lado, a presidente do IC indicou que o organismo espera poder avançar com os trabalhos de restauração nas duas estátuas de bronze das Ruínas de São Paulo no primeiro trimestre de 2026. Leong Wai Man explicou também que ainda está à espera do plano dos especialistas para saber que técnicas devem ser aplicadas, tendo em conta o grau de danificação das estátuas.

“Estamos a aguardar que os especialistas dêem uma proposta de restauro. Esta proposta vai incluir as técnicas a serem utilizadas e o calendário. Só depois de recebida a proposta vamos pensar se vamos iniciar o trabalho antes ou depois do Ano Novo Chinês”, afirmou.

Sublinhando que as estátuas estão expostas ao ar livre, sofrendo corrosão devido aos excrementos de pássaros, Leong Wai Man indicou ainda que as imagens “têm fissuras”. “Não sabemos se esse defeito já existia no início ou se surgiu depois”, admitiu, vincando depois que esta investigação que está a ser feita pelos especialistas pretende também responder a questões como essa.

“Quanto ao restauro das estátuas, é uma investigação que tem a ver com a história, cultura, a arquitectura de Macau, daí que temos de fazer um estudo pormenorizado, depois é que devemos escolher as técnicas a utilizar para o restauro. Vamos ver cada situação para ver quais as técnicas a aplicar. Ou seja, o restauro não é um mero restauro, mas merece um estudo mais aprofundado”, afirmou. Segundo disse, apurar as técnicas de fabrico e o mecanismo de deterioração das estátuas poderá servir de base para a futura protecção daquele monumento.

Entretanto, a estátua da Virgem Maria já foi restaurada. A presidente do IC garantiu ontem que foi colocada exactamente no mesmo sítio onde estava. “Damos muita importância ao restauro dessa estátua”, disse, apontando que os trabalhos de restauração foram levados a cabo por especialistas do Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau, da Universidade de Macau e do próprio IC. “Temos especialistas para reforçar a estrutura e todo o procedimento foi feito com rigor. Temos registado todos os passos de restauro, daí que não sei porque houve pessoas a dizer que houve uma falha no posicionamento desta estátua”, acrescentou.

 

*com Lusa