O número de jovens com problemas psicológicos tem vindo a aumentar, alertou a Associação Richmond Fellowship de Macau, indicando que os pacientes com idades compreendidas entre os 18 e 25 anos de idade representam entre 10 e 20% do total de pessoas em tratamento. O secretário-geral da associação advertiu ainda para os riscos da elevada pressão sentida pela população idosa devido às “perdas” inerentes à idade

 

Viviana Chan

 

Problemas do foro psicológico estão a atingir cada vez mais a população jovem do território. O alerta foi dado pelo secretário-geral da Associação Richmond Fellowship de Macau, ao revelar que mais de 80% das pessoas em tratamento de reabilitação psiquiátrica têm idades compreendidas entre os 35 e os 50 anos e entre 10% a 20% situam-se na faixa etária dos 18 aos 25 anos.

Sou Keng Ieong indicou que os jovens diagnosticados com problemas psicológicos sofrem grandes impactos na sua vida, pois entre os 18 e 25 anos estão a estudar e ainda não têm experiência no trabalho.

Segundo o secretário-geral da Associação Richmond Fellowship, os idosos também enfrentam, de uma forma geral, muita pressão devido ao próprio processo de envelhecimento. “As pessoas têm de encarar muitas perdas, tais como a perda de um membro de família ou do emprego, entre outras”, afirmou, apelando à sociedade para prestar mais atenção às camadas mais idosas da população.

No programa do “Ou Mun Tin Toi”, o presidente do Conselho Fiscal da Associação de Psicologia de Macau, Sou Kuai Long, explicou aos ouvintes que estar mal disposto e sentir-se deprimido são situações diferentes. As pessoas com depressão normalmente sentem-se desesperadas durante pelo menos duas semanas seguidas, segundo indicou.

“A tendência de suicídio das pessoas está ligada à depressão e se conseguirmos interferir o mais cedo possível poderemos salvar uma vida”, disse.

Durante o programa, Sou Kuai Long sustentou que as pessoas têm um entendimento errado do suicídio e, na maioria das vezes, pensam que quem partilha ideias desse tipo não será capaz de as concretizar. Nesse sentido, o mesmo responsável considera ser necessário dar atenção a pessoas que tenham essa intenção e já têm um plano concreto ou deixaram objectos favoritos aos amigos.

De acordo com as suas afirmações, existem algumas técnicas para comunicar com pessoas com problemas de depressão, sendo que, numa fase inicial, é fundamental reconhecer, compreender e aceitar.

No debate, o psicólogo frisou que as doenças psiquiátricas não são fatais, mas que a insónia também constitui um problema mental.

Actualmente a Associação de Psicologia de Macau está a fazer acções de sensibilização nas escolas sobre problemas mentais. A ideia do programa é criar redes de segurança para as pessoas e assim evitar casos de tragédia.