Apesar dos alertas sobre o potencial impacto do super-tufão “Manghut”, vários residentes consideram exageradas as previsões dos Serviços Meteorológicos, havendo até quem planeie continuar a fazer negócios durante o fim-de-semana. Já os mais precavidos preferem não arriscar, a avaliar pelas prateleiras vazias nos supermercados, sobretudo nos casos da água, vegetais, ovos e massas instantâneas. Os receios nascidos na quarta-feira levaram a um aumento das vendas de garrafões de água e carnes, porque muitas pessoas preparam-se para não sair à rua quando chegar o tufão

 

Rima Cui

 

Apesar das previsões iniciais dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicarem que o super-tufão “Mangkhut” poderia ter um impacto semelhante ao do “Hato”, que causou 10 mortos no ano passado, a TRIBUNA DE MACAU não detectou ontem de manhã sinais de elevada preocupação na zona norte da cidade.

Num supermercado “ParknShop”, nas imediações das Portas do Cerco, Choi, jovem mãe que estava a comprar arroz com um bebé ao colo, disse ter visto previsões sobre o “Mangkhut”, mas confessou desconhecer o dia previsto para a “chegada” do tufão a Macau. “Não preparei nada, nem água, nem pão. Não tenho medo, porque mesmo na última vez, do tufão “Hato”, a situação mais grave foi o apagão e só durou um dia. Não percebo porque é que as pessoas têm corrido para fazer compras nos supermercados”, disse.

Naquele estabelecimento, a prateleira de vegetais parecia, de facto, mais vazia do que em dias normais e a de ovos continha claramente muito menos caixas. Além disso, na prateleira de garrafas de água, já não havia nenhum garrafão, restando apenas algumas garrafas de 700 ml de água mineral.

Por outro lado, num supermercado da rede “Sam Miu”, vários empregados encarregavam-se da reposição de prateleiras de massas instantâneas. Um carrinho repleto de “noodles” foi, aliás, propositadamente estacionado num local evidente para ser de fácil acesso aos clientes.

Segundo uma empregada deste supermercado, na quarta-feira, dia em que o tufão “Barijat” passou pelo território, muitas pessoas disputaram água, cereais, pão e massa instantânea nos corredores do estabelecimento. Mas ontem, a situação já era diferente e havia menos pessoas em pânico, perante uma eventual catástrofe.

Na zona do Iao Hon, Chan, dona de uma banca de brinquedos, assegurou que não tem medo nenhum. “No ano passado, quando havia realmente um tufão de sinal 8, o Governo disse que seria sinal 3. Agora, obviamente, o Governo está a agravar a situação. Mas acredito que este tufão não vai ser tão grave como indica a previsão, por isso, não preparei nada”, explicou.

Numa banca de “tapau” de carne assada, um jovem também se mostrou convicto de que o “Mangkhut” não terá a mesma gravidade do “Hato”. “Segundo vi, as pessoas estão muito calmas e só os idosos é que correm aos supermercados e lutam pela água”, disse, apontando ainda que, com a experiência do “Hato”, as instalações de prevenção devem ter melhorado relativamente ao ano passado.

No entanto, Chan, idosa que gere uma banca de incensos e papéis votivos, não concorda com a ideia de que os idosos estejam mais em pânico. Chan também acredita que a previsão é “um exagero” e poderá “não chegar a acontecer nada”.

“Não comprei água ou pão. O meu desejo é que não venha o tufão. Mesmo no fim-de-semana vou manter a minha banca aberta. Só quando chegar efectivamente o tufão é que fecharei a porta. Também duvido que haja apagões ou cortes de água. Acho que o Governo está a exagerar na previsão para as pessoas ficarem mais preparadas”, sustentou.

 

Filas de clientes

Por outro lado, na Zona Norte eram ontem visíveis vários camiões de transporte de garrafões de água e trabalhadores a deslocarem-se rapidamente entre edifícios.

Um distribuidor de água confirmou que, desde quarta-feira, aumentou o número de pessoas que fizeram encomendas, tendo os pedidos duplicado face ao dia-a-dia normal. O funcionário entende que tal se deve às preocupações de muitas pessoas devido ao tufão “Mangkhut”. De resto, ele próprio confessou recear ter de trabalhar durante o tufão.

No mesmo sentido, Hoi, empregada de um mini-mercado perto do Mercado Municipal do Iao Hon, afirmou que, devido às previsões meteorológicas, gerou-se uma fila de clientes para comprar carne no talho do estabelecimento. Muitos moradores preferem comprar frango, já a pensar que não terão de ir à rua no fim-de-semana.

Apesar de ter visto muitos amigos a dizer uns aos outros para se abastecerem com água, Hoi confessou não estar especialmente preocupada, porque a patroa avisou os empregados que podem tirar directamente das prateleiras do mini-mercado água e alimentos, caso passe um forte tufão.

Wong, a patroa, revelou também que na quarta-feira os clientes fizeram muito mais compras do que ontem. Como estratégia de prevenção, a comerciante adiantou que vai colocar todos os produtos em prateleiras mais altas com antecedência. Por outro lado, as máquinas de grande porte, como as arcas congeladoras de carne e bebidas, ficarão no mesmo local, facto que a preocupa.

Segundo Wong, durante o tufão “Hato”, todas as máquinas ficaram avariadas devido às inundações. “A maioria já foi reparada mas até hoje, um congelador ainda não funciona”, apontou.