Entre mar e terra, a política não pode descansar para garantir que o desenvolvimento da Indonésia evolua de uma forma sustentável. Mas o maior desafio, comentou o Cônsul-Geral da Indonésia em Hong Kong e Macau, é a preservação de edifícios históricos, como os coloniais

 

Salomé Fernandes*

Em Labuan Bajo

 

A Indonésia tem oito locais considerados Património Mundial pela UNESCO, sendo quatro deles culturais, e os restantes naturais, como é o caso do parque nacional de komodos. Mas a lista de maravilhas não se fica por aqui, havendo 19 locais na “lista de tentativas”, ou seja, o Património que o Estado considera que deve também vir a ser reconhecido como tendo valor universal. No entanto, este reconhecimento “não é tudo”, reconhece o Cônsul-Geral da Indonésia em Hong Kong e Macau, Tri Tharyat.

“O Governo aprovou as leis de preservação do património, e claro que o reconhecimento da UNESCO é um objectivo, para atrair atenção global a estes locais, mas o reconhecimento não é tudo. O mais importante é como preservar a nossa herança cultural e o mais desafiante são os edifícios [património material]. Não os templos, mas por exemplo as construções coloniais. É difícil por causa das pressões económicas e da globalização nos centros das cidades. Em Jacarta, estabelecemos o comité de edifícios históricos, que aconselha o governo regional a declarar alguns edifícios como património. Por norma, acabam por mudar o interior mas mantêm a fachada”, explicou Tri Tharyat.

As preocupações não se ficam por terra. Foi o próprio cônsul a levantar a questão marítima, e a recordar um vídeo tornado viral no início do mês por um mergulhador britânico, que revela grandes quantidades de plástico no mar. “O Governo levou-o a sério. Naquele dia, a corrente veio de Bali, Java e Lombok em direcção àquele ponto. Mas no dia seguinte foi enviada uma equipa para a mesma localização e já não havia plástico”, procurou esclarecer. “É um desafio, porque actualmente, com o crescimento dos investimentos e de fábricas, o Governo definiu regras restritas de impacto ambiental. A destruição pode acontecer em qualquer momento e lugar mas os termos legais estão lá. E no que toca a preocupações, nas zonas turísticas temos uma atenção especial”, comentou.

Nesse sentido, garantiu ainda que a maioria do ecoturismo está a ser desenvolvida através das comunidades locais. “Nalgumas áreas criaram uma cooperativa local, uma organização económica que reúne pequenas e médias empresas (PME) de forma a que o Governo em vez de dar negócios às grandes empresas concede privilégios a estas pequenas comunidades para explorarem as zonas turísticas”, frisou.

A promoção do turismo encontra-se agora a ser feita em 10 novos destinos, um dos quais Labuan Bajo, e “está aberto a investimento estrangeiro”, referiu Tri Tharyat, acrescentando que já se observou este tipo de cooperação na ilha de Lombok. “Com a iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’, a Indonésia e a China ficam naturalmente mais próximas, não apenas em termos económicos mas também ao nível do turismo. Há três anos, o nosso Governo eliminou a necessidade de visto para portadores de passaporte chinês, enquanto com Macau e Hong Kong esta prática já se encontra em vigor desde há 10/15 anos, tendo-se verificado um aumento muito grande de turistas chineses a virem à Indonésia. Esperamos que a cooperação fortaleça”, comentou.

Questionado sobre a possibilidade de diversificar o turismo para a área do jogo, comentou simplesmente que acha que a hipótese não será considerada pelo Governo. “Já tivemos casinos nos anos 70, mas foram fortemente rejeitados, fecharam, e permitimos os casinos flutuantes, em cruzeiros. Mas agora os países vizinhos, como a Malásia e as Filipinas, estão a agarrar este mercado, e ficam apenas a uma hora de voo de cá”, explicou.

 

* Jornalista viajou a convite do Consulado Geral da República da Indonésia em Hong Kong e Macau