Dois projectos para novos filmes locais, “Lost Paradise” de Tracy Choi e “Wonderland” de Chao Koi Wang, foram premiados em 15 mil e cinco mil dólares americanos, respectivamente, por reunirem mais qualidade em todos os aspectos e melhor retratar o espírito de Macau
Catarina Almeida
A realizadora local Tracy Choi, conhecida pelo filme “Sisterhood” – que competiu na primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Macau (IFFAM, sigla em inglês) – foi a grande vencedora de ontem. O filme “Lost Paradise”, ainda em desenvolvimento, arrecadou o prémio de “Melhor Projecto” no âmbito do Intercâmbio para a Indústria Cinematográfica, já que, no entender do júri, prima pela qualidade em todos os aspectos considerados.
“Acertámos nos vencedores de duas categorias à medida que anunciavam e quando chegou a vez do grande vencedor não estávamos à espera que fosse o nosso projecto. Estávamos mesmo a contar que seria outro. Agora que temos o financiamento, já posso pagar ao guionista. Estamos muito contentes”, explicou a realizadora, à margem de cerimónia, notando ainda o “timing perfeito” porque “dá confiança” para avançar com o filme.
Com este incentivo, na ordem dos 15 mil dólares americanos, a jovem realizadora promete dar continuidade à ideia, e desenvolvê-la, apesar do orçamento para o filme superar um milhão de dólares americanos.
Actualmente a trabalhar no guião, Tracy Choi quer lançar mais um projecto dedicado a um “tema forte”. “O filme será sobre assédio sexual e queremos, sobretudo, abordar o ponto de vista das vítimas – não apenas relatar o que cometeu o crime – como sobreviveram e como lidaram com tudo depois do sucedido. É muito importante porque a verdade é que depois das notícias serem divulgadas parece que há menos preocupações com as vítimas e mais enfoque em que perpetuou o crime”, disse.
Na edição deste ano, foram seleccionados 14 novos projectos de filme, delineados por realizadores de vários locais do mundo, sendo que dois são “da casa”.
Além de “Lost Paradise”, do rol dos projectos apresentados a produtoras e distribuidoras internacionais também fez parte “Wonderland”, de Chao Koi Wang, que arrecadou o prémio Espírito de Macau – categoria que visa distinguir a ideia cinematográfica que melhor integra diferentes culturas, em celebração da natureza inclusiva e charme de Macau.
No decorrer do Intercâmbio para a Indústria Cinematográfica, “Wonderland” foi apresentado como um projecto que irá envolver um investimento de 780 mil dólares americanos. À procura de financiamento e de co-produção, o novo filme ganha agora novas “asas” com este prémio de 5.000 dólares americanos.
“Estou muito contente com este prémio. Tenho muita sorte e sinto-me também feliz por ver que os filmes de Macau tenham recebido a distinção porque precisam de apoio. A indústria também”, disse Chao Koi Wang à TRIBUNA DE MACAU.
“Wonderland”, drama que figura como a primeira longa-metragem do jovem realizador local, foca-se na indústria do jogo mas também nas pessoas que fazem parte dela, com enfâse nas questões da imigração e dos cidadãos do Interior da China que procuram encontrar em Macau o “país das maravilhas”.
Foi com alegria que a directora dos Serviços de Turismo reagiu às distinções dos dois projectos locais. “Estou muito contente. Foi o júri que deliberou e temos todos o gosto de ter os nossos projectos premiados, mas nós não interferimos”, frisou Maria Helena de Senna Fernandes. “Não estávamos à espera porque são 14 projectos de muita qualidade, ainda melhor do que nos anos interiores. Queremos que mais projectos de Macau participem para o ano porque assim podem ganhar experiência internacional”, reconheceu.
O júri entregou ainda o prémio de Melhor Criatividade à história que a realizadora Tamae Garateguy, natural da Argentina, procura contar em filme. “Dogman”, que se encontra em fase de desenvolvimento, conta com um investimento de 691.130 dólares americanos. “Vamos canalizar uma parte para o desenvolvimento do filme. Este prémio é um grande reconhecimento porque tomámos riscos ao assumir esta ideia. O prémio expressa que estamos a apostar em algo original e criativo, estamos no caminho certo”, indicou Tamae Garateguy.
A criatividade por detrás da ideia concebida por Garateguy valeu-lhe agora um prémio de 10 mil dólares americanos que dará força à história que quer explorar: uma jovem argentino-japonesa torna-se numa super-heroína depois de se vingar do homem que lhe roubou a família.
Por fim, o prémio de Melhor Projecto de Cooperação foi para “Ajoomma”, do realizador Ho Shuming. O júri entregou ainda a Sadrac González-Perellón uma menção honrosa pelo projecto “Amazing Elisa”.



