A SJM registou ganhos operacionais de 1,7 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2023 e reduziu os prejuízos líquidos para dois mil milhões. Segundo a empresa, os resultados operacionais tiveram um “forte crescimento” no quarto trimestre do ano passado, reflectindo um “progresso constante” no resort Grand Lisboa Palace

 

Sérgio Terra

 

Os prejuízos líquidos da SJM Holdings cifraram-se em 2,01 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD) em 2023, traduzindo um decréscimo de 74,2% em relação às perdas de 7,80 mil milhões anotadas no ano anterior, anunciou ontem a operadora de jogo, em comunicado.

Pela primeira vez desde o início da pandemia, a SJM encerrou um exercício financeiro anual com lucros operacionais. Entre 2022 e 2023, o EBITDA (resultados antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) passou de um registo negativo de 3,09 mil milhões HKD para ganhos de aproximadamente 1,73 mil milhões.

Essa melhoria derivou essencialmente do aumento anual de 229,3% nas receitas líquidas do jogo, que ascenderam a 20,06 mil milhões, correspondendo a 60,5% do nível de 2019, o ano pré-pandemia. Já as receitas dos negócios da hotelaria, “catering”, retalho, leasing e outras áreas operacionais cresceram 191,3% para 1,81 mil milhões face a 2022.

No ano passado, a SJM conquistou 11,9% das receitas brutas do jogo em Macau, incluindo quotas de 14,8% nas mesas do mercado de massas e 3,5% no segmento VIP.

“Os resultados da SJM Holdings em 2023 mostram uma recuperação substancial nas receitas do jogo e não-jogo face aos anos de pandemia. Além disso, as nossas operações no quarto trimestre apresentaram um forte crescimento sequencial do EBITDA ajustado, bem como um progresso constante” no Grand Lisboa Palace, resort que foi inaugurado a 30 de Julho de 2021, destacou Daisy Ho, presidente da SJM Holdings e administradora-geral da SJM Resorts, subsidiária do grupo que detém uma das seis concessões do jogo em Macau.

De acordo com os mesmos dados, o Grand Lisboa Palace gerou receitas brutas de 3,67 mil milhões no ano passado, incluindo 2,69 mil milhões no casino e 980 milhões nas operações sem jogo, fechando o ano com um EBITDA negativo de 317 milhões, contra perdas de 969 milhões em 2022. A taxa de ocupação hoteleira no resort do COTAI cresceu 50,4 pontos percentuais para 82,6% em termos anuais, com o preço médio dos quartos a fixar-se em 1.322 HKD (mais 44,3%).

No Grand Lisboa, na Península, as receitas brutas totalizaram 5,75 mil milhões, com a actividade do jogo a ser responsável por 5,44 mil milhões, levando o EBITDA para ganhos de 1,32 mil milhões, que inverteram o resultado negativo de 758 milhões do ano precedente. A taxa de ocupação do hotel subiu 46,8 pontos para 93,0% e a média de preços por quarto aumentou 76,8% para 1.121 HKD.

No final de Dezembro, a SJM possuía 4,55 mil milhões de dólares de Hong Kong em caixa, saldos e depósitos bancários, o que representa uma descida anual de 43,2%. Em comparação com o final de 2022, o total das dívidas diminuiu 11,4% para 28,15 mil milhões.

O grupo recordou ainda que, no dia 20 de Junho de 2022, concluiu o refinanciamento das suas linhas de crédito, envolvendo um empréstimo a prazo de nove mil milhões e um crédito rotativo de 10 mil milhões HKD, dos quais 3,3 mil milhões não foram utilizados até 31 de Dezembro de 2023.

Por outro lado, a SJM garantiu que o investimento adicional não relacionado com o jogo é “gerível” e “razoável”. Recorde-se que as seis concessionárias terão de investir mais 20%, ou 21,75 mil milhões no seu conjunto, em projectos sem jogo nos 10 anos de vigência das actuais licenças, uma vez que as receitas brutas dos casinos totalizaram cerca de 183,06 mil milhões de patacas no cômputo geral de 2023, excedendo a meta anual de 180 mil milhões incluída nos contratos de concessão.

O investimento da SJM em projecto sem jogo irá assim aumentar em 2,4 mil milhões para um total de 14,4 mil milhões de patacas.