O preço médio por metro quadrado das casas vendidas na RAEM desceu 3,5% entre Julho e Setembro face ao trimestre anterior, mas subiu 4,6% em termos anuais. A desaceleração apenas é notória na Taipa e Coloane, atenuando o encarecimento na Península, zona que é responsável por mais de 80% das transacções e onde os preços avançaram 1,2% em três meses e 12% no intervalo de um ano
Sérgio Terra
Embora os dados da construção privada e transacções de imóveis apontem para uma desaceleração do sector imobiliário na globalidade da RAEM no terceiro trimestre deste ano, essa constatação é fortemente influenciada pela tendência de descida na Taipa e Coloane, em flagrante contraste com o panorama na Península de Macau, onde os preços voltaram a crescer na variação trimestral e, sobretudo, na comparação anual.
Segundo os dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), que têm por base o imposto de selo cobrado, foram transaccionadas 2.383 fracções autónomas habitacionais (incluindo 217 em edifícios em construção) na RAEM pelo montante total de 14,54 mil milhões de patacas no período compreendido entre Julho e Setembro, traduzindo decréscimos de 22% e 24,5% em relação aos três meses anteriores. No entanto, quando comparados com o terceiro trimestre de 2017, verificam-se subidas de 14,1% e 17,1% no número e no valor das casas alienadas, respectivamente.
Ao nível do preço por metro quadrado da área útil dos imóveis para habitação, o mercado também discrepâncias óbvias: no cômputo geral da RAEM o valor médio desceu 3,5% para 103.844 patacas face aos três meses anteriores, consumando a segunda quebra trimestral consecutiva, no entanto, cresceu 4,6% em comparação com as 99.276 patacas contabilizadas no terceiro trimestre de 2017.
A DSEC sublinha que o preço médio das casas na Taipa (98.315 patacas) caiu 15,2% face ao trimestre anterior devido ao facto da proporção de fracções autónomas habitacionais de edifícios em construção transaccionadas por valores “relativamente elevados” (3,7%) ter diminuído 23,3 pontos percentuais em relação ao total das alienadas. Em comparação com o terceiro trimestre de 2017, o preço médio dos imóveis recuou 10,82% na Taipa, onde o número de transacções (364) também baixou 33,3% e 9,7% no espaço de três meses e um ano, respectivamente.
Em Coloane, a tendência é similar, com o preço médio por metro quadrado (119.437 patacas) a decrescer 7,6% em relação ao segundo trimestre deste ano e 8,7% face ao terceiro trimestre de 2017. Já o número de transacções subiu 28,6% em Coloane em termos anuais homólogos mas caiu 23,6% na variação trimestral.
Península absorve 81% das transacções
Em contrapartida, na Península, concretizaram-se 1.938 operações de venda de casas, ou seja 81,3% do total da RAEM, pelo valor de 10.728 milhões de patacas, o que, se por um lado, corresponde a quebras trimestrais de 19,4% e 18,5%, respectivamente, por outro, assinala aumentos anuais de 19,5% e 32,4%. Na Península, o preço médio por metro quadrado (104.606 patacas) aumentou 1,2% face os três meses precedentes e 12,1% relativamente ao terceiro trimestre do ano transacto.
No período em análise, a maior parte das transacções envolveu imóveis situados nas zonas dos Novos Aterros da Areia Preta (420), Baixa da Taipa (282), Areia Preta e Iao Hon (183), Mong Há e Reservatório (183).
Os mesmos dados revelam, por outro lado, que o preço médio por metro quadrado das fracções autónomas industriais (54.215 patacas) baixou 15,1% e 6,11% face ao trimestre anterior e ao homólogo de 2017.
No domínio da construção privada, até ao final do terceiro trimestre, estavam em fase de projecto 20.838 fracções autónomas habitacionais, 7.538 em construção e 2.223 a ser vistoriadas, 2.087 das quais na Taipa. Segundo os dados oficiais, 525 fracções tinham autorização de execução e 786 licença de utilização, estando estas localizadas na Península.
Vendas de escritórios estão em declínio
No terceiro trimestre deste ano, o preço médio por metro quadrado das fracções autónomas destinadas a escritórios cifrou-se em 118.293 patacas, o que representa um aumento de 1,5% face ao período compreendido entre Abril e Maio e uma descida de 2,05% em relação ao período homólogo de 2017. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, entre Julho e Setembro do corrente ano, realizaram-se 46 transacções de escritórios pelo preço total de 319 milhões de patacas, reflectindo descidas de 22,03% e 36,58, respectivamente, em relação ao trimestre anterior. A comparação anual também revela quebras de 36,11% e 52,25% no número e montante das vendas.



