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As regras impostas pelo Governo vão continuar a diminuir as transacções dos imóveis, mas os preços não acompanham a tendência decrescente devido à escassez na oferta. Para a agência imobiliária “Ricacorp”, o Executivo já lançou medidas suficientes para ter o mercado sob controlo, mas precisa de libertar mais terrenos e planear melhor o futuro

 

Fátima Almeida

 

As transacções de casas desceram em Macau nos primeiros cinco meses do ano e espera-se que no global de 2014 sejam vendidas menos unidades habitacionais do que em 2013. Contudo, os preços continuaram a subir. “De acordo com os dados governamentais, até Maio registaram-se 3.743 transacções, uma quebra quando comparando com o ano passado, em que no primeiro semestre se verificaram 7.500 casos”, disse a gerente do grupo “Ricacorp Macau”.

A agência imobiliária, que deu ontem uma conferência de imprensa para falar sobre o mercado no território, considera que, enquanto o desequilíbrio entre a oferta e a procura for tão gritante, a possibilidade dos preços descerem é menor, mesmo com as medidas lançadas pelo Governo. “O preço não desceu porque a economia de Macau é muito boa. De acordo com os dados que temos houve uma subida de 7,5 por cento no preço das casas que estão no mercado em segunda mão”, começou por explicar Jane Liu.

O valor das casas continua em sentido crescente num território com uma economia galopante e que não parece mudar, mesmo quando há mais restrições à transacção de imóveis – devido à regra que dita que a venda só pode ser feita depois de dois anos da compra. “O PIB (Produto Interno Bruto) continua nos dois dígitos o que é muito bom comparando com as outras regiões. As pessoas daqui querem comprar casas, há dinheiro, mas não temos ‘fornecedores’ sobretudo no mercado em segunda mão”, disse Jane Liu.

Por outro, a falta de terrenos e os procedimentos de aprovação de autorização para construção fazem com que o número de habitações construídas e prontas a entrar no mercado seja reduzido. “No último mês tínhamos apenas 30 casas novas no mercado, por isso, podemos ver que tanto em primeira como em segunda mão não são suficientes, mas a procura continua a ser muita aqui”, frisou.

Apesar da falta de oferta, as imobiliárias, ao contrário da população, ainda têm razões para sorrir. Embora as transacções desçam este ano, prevendo-se que sejam colocadas no mercado menos de 10.000 casas, ao invés das 12.000 de 2013, os preços não parecem descer.

Porém, num ponto, as agências imobiliárias e as opiniões críticas ao mercado e ao Executivo concordam: é necessário ter uma visão mais clara sobre o futuro. “O Governo precisa de ter dados mais sofisticados sobre qual é o salário das pessoas e quais as necessidades das famílias, se precisam de T2, T3. Tem de olhar para estas questões e depois planear os novos aterros”, referiu a gerente, quando instada a comentar as críticas que foram tecidas por várias associações locais ao plano apresentado em consulta pública pelo Governo.

Já em relação à proporcionalidade, Jane Li diz ser “muito complicado dizer qual a percentagem” dos novos aterros que “deve ir para o sector privado e para o público”. Para várias associações locais, como os Moradores, é claro que a maioria dos terrenos deve ficar reservada para construção de habitação pública.

Questionada sobre se o mercado poderia aguentar com mais medidas para tentar apertar os preços, Jane Liu considerou que a situação está “sob controlo”, sendo antes necessário que o Governo “relaxe” os procedimentos para haver mais terras ao “invés de as segurar”. “Em termos económicos quando que há mais oferta é que os preços descem”, frisou.

“Não é apenas em Macau que as pessoas sentem dificuldades neste campo, passa-se sobretudo com os mais jovens, mas penso que o Governo tem feito muita coisa em relação ao problema das casas nos últimos dois anos”, considerou. “Se olharmos para os dados, o Executivo aumentou os parâmetros salariais para uma pessoa recorrer a casa económica, ou seja, se um agregado de uma pessoa ganhar 31.000 patacas pode recorrer a uma destas habitações, o que significa que muitos da classe média podem estar nesta categoria”, acrescentou.