O projecto de expansão da Pousada de São Tiago, tão desejado pela proprietária Angela Leong desde 2014, já está em andamento, confirmaram as Obras Públicas. O Instituto Cultural também emitiu um parecer no sentido de “assegurar a protecção da Fortaleza de São Tiago da Barra durante a execução da obra referida”. Segundo apurou a TRIBUNA DE MACAU, a “MCC Overseas” foi escolhida para avançar com as obras que incluem um edifício de sete andares
Liane Ferreira
Já passou um ano desde que a Pousada de São Tiago fechou portas “sine die”, devido ao ruído da construção do Centro Modal de Transportes da Barra. Entretanto, arrancaram as obras de alargamento da unidade hoteleira, segundo confirmaram entidades oficiais a este jornal.
“Sobre a obra de construção, trata-se da ampliação do hotel”, explicou a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.
No entanto, a questão mais pertinente envolvia o facto da Pousada formar com a Fortaleza de São Tiago da Barra um conjunto que é classificado como património de Macau, pelo que as obras envolvem também o Instituto Cultural (IC).
“A área de obra relativa situa-se na zona de protecção, e a adjacente Fortaleza de São Tiago da Barra foi classificada como Monumento. O IC recebeu um pedido de parecer da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes no ano passado e no mesmo ano deu parecer no sentido de assegurar a protecção da Fortaleza de São Tiago da Barra durante a execução da obra referida”, avançou o organismo.
Segundo apurou o Jornal TRIBUNA DE MACAU, a obra de ampliação foi entregue à construtora chinesa “MCC Overseas”. No seu website, a companhia afirma que, “a 17 de Novembro de 2017, a subsidiária da MCC de Hong Kong ganhou o concurso das obras de expansão da Pousada de São Tiago, que incluem os alargamentos da zona nordeste, onde será adicionado um edifício com sete andares de altura e zona de entrada de veículos”.
Obras de expansão estão a ser executadas pela construtora chinesa “MCC Overseas”
A empreitada começou logo em Novembro, e apesar de não ser apresentado um calendário, prevê trabalhos de escavação de construção de paredes de reforço para a montanha, construção da nova estrutura do hotel em betão armado, paredes externas e obras de arquitectura paisagística.
A área total do lote onde serão executadas as obras é de 1.452 metros quadrados, fazendo fronteira com a Colina da Penha e da Barra. Os terrenos em volta são principalmente residenciais e à frente estão localizados o Lago Sai Van e o rio.
Em Novembro de 2014, Angela Leong, proprietária da unidade hoteleira e directora da Sociedade de Jogos de Macau, teve de desmentir rumores de encerramento, mas indicou a intenção de remodelar e aumentar o espaço. Na altura, o projecto de ampliação não foi concretizado por motivos que se prendiam com a defesa do património cultural e a protecção do ambiente.
Mas, Angela Leong acreditava que o projecto não colidia com os critérios de protecção do património cultural e do meio ambiente. “O desenho do projecto de alargamento do hotel de cinco estrelas respeita, ao máximo possível, os princípios da protecção ambiental e preservação das árvores”, asseverou no final de 2017.
De acordo com a construtora, este é o primeiro projecto que a sucursal garante no território, por isso, “abre um novo capítulo no mercado de projectos de engenharia em Macau” da empresa. Para a MCC, “é sinónimo de que a empresa se estabeleceu oficialmente mo mercado local e poderá a partir daqui criar uma base sólida de desenvolvimento”.
Na apresentação do projecto consta que a empresa recebeu “num curto espaço de tempo” as licenças de construção do projecto e existe uma “interacção eficiente com os departamentos governamentais”. Além disso, “criou-se uma boa relação de cooperação com o excelente sector da construção local”.
Constituída em 1994, a MCC tem oito sucursais internacionais e recebeu um contrato no Irão envolvendo aço, na ordem dos 1.300 milhões de euros, e está a construir dois complexos habitacionais e de escritórios em Kuala Lumpur.



