A Maratona Internacional de Macau realiza-se no domingo, com João Antunes e Vera Nunes a representarem Portugal na corrida rainha do programa, que não contará com os vencedores de 2017, tanto em masculinos como femininos. A Meia Maratona traz fundistas de vários países da lusofonia
Vítor Rebelo*
A partir das 6 horas da manhã de domingo, vai para a estrada a 37ª edição da Maratona Internacional de Macau, que integra três corridas: a Maratona, com os habituais 42 quilómetros e 195 metros, a Meia Maratona, de 21 quilómetros e 975 metros e a Mini, num percurso de 5,5 quilómetros, que arrancará 15 minutos mais tarde do que as restantes.
Os pormenores da competição, que volta a ter como patrocinador principal a Galaxy Entertainment, vão ser divulgados hoje em conferência de Imprensa, nas instalações do Estádio de Macau, recinto que terá a partida e a chegada das três corridas, como já vem acontecendo há vários anos.
Ainda não é conhecida a maioria dos participantes, mas é um dado adquirido que a “armada” africana voltará a fazer-se representar em força, quer através dos atletas convidados pela organização e por isso com estatuto especial (viagem e alojamento), quer dos que se inscreveram por iniciativa própria, alguns dos quais, como tem vindo a acontecer, lutam mesmo pelos primeiros lugares.
Para além dos sempre favoritos atletas de países africanos (Quénia, Etiópia, Zimbabué, Marrocos, África do Sul), há no entanto outros fundistas que podem dar cartas, como já sucedeu em edições anteriores do evento da RAEM, vindos da Rússia, Ucrânia, China, Coreia do Norte ou até Portugal.
A Federação Portuguesa de Atletismo seleccionou desta feita João Antunes, que pertence ao Clube Desportivo S. Salvador do Campo (Santo Tirso) e que vem a Macau pela primeira vez, e Vera Nunes, que deixou o Benfica e corre agora a nível individual.
Vera Nunes vem à Maratona do território pela terceira vez, tendo alcançado o sexto lugar em 2016 (marca de 2.42.07) e o nono em 2017 (2.37.41). “A ideia é tentar fazer melhor do que nesses dois anos anteriores em que estive em Macau. O percurso já o conheço, mas depende como o corpo vai reagir no domingo”, disse Vera Nunes ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.
A fundista de 38 anos correu já este ano, em Abril, a Maratona de Cracóvia, Polónia, onde foi segunda classificada com o tempo de 2.39.
Relativamente à saída do Benfica, onde esteve vários anos, Vera diz ter tido pena de deixar o clube, mas recebeu “uma boa proposta da empresa GIFT (Gabinete de Intervenção Familiar e Terapias) e que não podia recusar, até porque a idade já não é a ideal”.
Quanto a João Antunes, que se estreia na Maratona de Macau, o corredor de 29 anos só fez uma maratona até agora, foi em Valência, registando o tempo de 2.21.11.
“É um desafio pessoal eu ter optado agora por participar nas maratonas, depois de muitas provas de meio-fundo e algumas meias-maratonas em particular, a última das quais em Lisboa, este ano, onde fui o segundo melhor português, a seguir a Bruno Paixão. É uma nova experiência, espero que me sinta bem no domingo em Macau, que possa gerir bem as energias, ser consistente, manter-me o mais possível entre os da frente, numa competição que sei possuir um historial extenso. Os africanos são os favoritos, vou tentar acompanhá-los o mais possível. Este vai ser certamente um desafio maior do que em Valência, porque o percurso de Macau tem algumas dificuldades”, disse João Antunes.
Os mais credenciados são de facto os maratonistas africanos e tudo aponta para que possam voltar a ganhar esta Maratona Internacional, depois dos triunfos dos quenianos Peter Kimeli Some (2016) e Felix Kiptoo Kirwa (2017), neste último caso com recorde de percurso (2.10.01), suplantando o anterior máximo, alcançado pelo seu compatriota Julius Kiplimo Maisei, em 2013 (2.12.43).
Também nas mulheres houve recorde na prova do ano passado, obtido por Eunice Jepkirui kirwa, irmã de Felix Kiptoo, mas naturalizada pelo Bahrein. Os irmãos decidiram não vir defender o título e por isso são os grandes ausentes da Maratona este ano.
Carla Martinho na Meia Maratona ao lado de António Rocha
A Meia Maratona, introduzida no programa desde 1997, tem subido de qualidade de ano para ano e já começa a despertar o interesse de atletas de países africanos, que chamaram a si os triunfos nas duas últimas edições, através dos quenianos Charles Njoki e Joseph Ngari.
Mas igualmente os representantes da lusofonia e concretamente os portugueses, têm dado nas vistas, com Miguel Ribeiro a ser segundo em 2016 e Daniel Pinheiro sexto no ano passado.
João Antunes
Nas mulheres, foi mesmo Portugal a vencer em 2017, graças à corrida de Doroteia Peixoto (1.16.00), à frente de três quenianas, repetindo o êxito do ano anterior.
Doroteia não vem tentar o tri e Portugal será representado, neste sector feminino, por Carla Martinho, que curiosamente também já ganhou a Meia Maratona em Macau, em 2015, com a marca de 1.18.56.
“Venho sempre para ganhar e a expectativa é grande mais uma vez. Quero dar seguimento aos bons resultados de Portugal nesta distância aqui em Macau, onde o nosso país tem estado bem representado há vários anos”, afirma Carla Martinho, já uma veterana, 42 anos, que ganhou este ano duas “meias”, uma em Maio (Douro Vinhateiro) e outra em Abril, em Ílhavo.
Na classe masculina, a federação lusa trouxe até estas paragens António Rocha, que fala da sua estreia absoluta fora de Portugal:
“Macau é a minha primeira experiência além-fronteiras e espero poder fazer um bom resultado. Penso que a minha prestação irá depender do nível dos africanos, porque a minha intenção é andar com eles na frente da corrida até onde puder”.
António Rocha tem 26 anos e em 2018 ganhou a Meia-Maratona de Coimbra (com 1.07) e foi quinto posicionado em Ovar (1.05).
Portugal quer manter presença no evento
Quem chefia esta delegação a Macau, é o treinador António Sousa, que considera, relativamente à prestação que possam ter os atletas lusos, que “tudo vai depender do nível técnico da corrida, porque de resto eles estão em boa forma e podem alcançar resultados agradáveis, ainda que seja difícil discutir o primeiro lugar.”
Para António Sousa, “esta é uma prova na qual Portugal faz sempre questão em estar presente, por razões históricas, apesar das actuais dificuldades da modalidade, que atravessa uma certa crise no meio fundo e na maratona, não sendo por vezes possível trazer os melhores atletas.”
Tudo a postos então para mais uma edição da Maratona Internacional de Macau, que engloba três corridas, a principal das quais, que passará por Macau, Taipa e Coloane, dá um prémio monetário de 40 mil dólares americanos ao vencedor, cerca de 320 mil patacas (tanto nos homens, como nas mulheres), podendo subir, como aconteceu na edição de 2017, até aos 62 mil dólares (quase meio milhão de patacas), por bónus de tempo e recorde de percurso.
Rosa Mota regressa como convidada
Tal como tem acontecido nos últimos anos, Rosa Mota, campeã olímpica da maratona em 1988 na Coreia do Sul, volta a marcar presença como convidada da organização. A “menina da Foz” como era conhecida quando corria, vai correr na Mini Maratona e participar numa acção de sensibilização anti-dopagem, a realizar amanhã nas instalações do Estádio de Macau.
* Jornalista



