António Costa recebeu Edmund Ho e Lionel Leong
António Costa recebeu Edmund Ho e Lionel Leong

O Primeiro-Ministro português comprometeu-se a apoiar a RAEM como plataforma de serviços financeiros para a cooperação sino-lusófona, nomeadamente através de recursos humanos qualificados e tecnologia. A intenção foi manifestada numa reunião com Edmund Ho e Lionel Leong

 

No último dia da passagem por Lisboa, o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), Edmund Ho, e o Secretário para a Economia e Finanças, reuniram-se com o Primeiro-Ministro português, que prometeu reforçar o apoio à RAEM em dois sectores distintos. Segundo o Gabinete de Comunicação Social, no sentido de incentivar Macau como plataforma de serviços financeiros, António Costa afirmou que o Governo português “vai envidar todos os esforços para apoiar, e o Ministério das Finanças e o Banco de Portugal vão ajudar em matéria de recursos humanos qualificados e tecnologia”.

Recordando que esteve já no território para participar em actividades do Fórum Macau, o Primeiro-Ministro disse esperar que haja um desenvolvimento na cooperação nesta área e sustentou que a construção da Grande Baía que “vai trazer uma nova dinâmica à economia”, indica a mesma nota.

Por sua vez, Edmund Ho apontou que o planeamento da Grande Baía será lançado em breve e Macau desempenhará o seu próprio papel, “aproveitando as suas vantagens singulares de ligação estreita com os países lusófonos”. Além disso, o Governo lançou a criação de uma plataforma de serviços financeiros entre a China e os países lusófonos e “espera poder contar com o apoio e colaboração de Portugal”, para que “seja introduzido novo dinamismo” nessa estratégia. Segundo apontou, o gabinete do Secretário para a Economia e Finanças e a Autoridade Monetária de Macau “mantêm contactos e negociações para efectivar os trabalhos de cooperação”.

Referindo que visitou o Banco de Portugal, para um encontro que alcançou “bons resultados”, Edmund Ho frisou que a delegação que rumou a Lisboa juntou responsáveis de 10 instituições financeiras de grande dimensão do Interior da China, “demonstrando o enorme interesse no mercado de Portugal”.

 

Fórum “mais inclusivo”

Em Lisboa, o antigo Chefe do Executivo da RAEM também presidiu a um evento comemorativo do 15º aniversário do Fórum Macau, aproveitando para exortar todos a promoverem “a consolidação e o desenvolvimento” do organismo, “elevando-o a um patamar mais inclusivo, de canais diversificados” e “transformando este mecanismo num novo exemplo de cooperação, no enquadramento da iniciativa nacional de ‘Uma Faixa, Uma Rota’”.

Na cerimónia, que contou com a presença da vice-ministra do Comércio da China, Gao Yan, e do Ministro da Economia de Portugal, Manuel Caldeira Cabral, Edmund Ho sublinhou que a criação do Fórum Macau reflectiu “a vontade de aproveitar as oportunidades emergentes do processo de reforma e de abertura, cruzando-a com o desejo de desenvolvimento comum” dos povos chinês e lusófonos, permitindo ao mesmo potencializar as vantagens de Macau assentes nas suas “enraizadas relações históricas”.

Já Lionel Leong assegurou que as medidas anunciadas sobre a construção do “Centro de Intercâmbio Cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa” e da “Base de Formação de Quadros Bilingues de Chinês e Português” estão a ser implementadas de “forma acelerada”. “As funcionalidades de Macau como Plataforma de Serviço entre a China e os Países de Língua Portuguesa têm vindo a ser cada vez mais enriquecidas”,

Antes de regressarem a Macau, Edmund Ho e a comitiva da RAEM também visitaram o Grupo Euronext. Por sua vez, o Secretário para a Economia e Finanças seguiu viagem para o Brasil com uma comitiva da RAEM.

 

24 protocolos e 80 bolsas de contacto

A edição deste ano do “Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa” contou com mais de 400 participantes e levou à realização de mais de 80 bolsas de contacto e assinatura de 24 protocolos e memorandos, indicam números divulgados pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). Segundo o IPIM, o conteúdo dos protocolos envolve cooperações entre governos, entre estes e associações, bem como colaborações económicas, comerciais e tecnológicas, serviços de liquidação e compensação de renminbi e introdução de suplementos alimentares, entre outras vertentes. O próximo Encontro será realizado em São Tomé e Príncipe no próximo ano.

 

Papel “insubstituível” como plataforma

A vice-ministra do Comércio da China destacou em Lisboa o papel de Macau e a sua “posição insubstituível” como plataforma de ligação entre a China e os países lusófonos, bem como na concretização do princípio “um país, dois sistemas”. Gao Yan, que esteve em Portugal para participar no Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países da Língua Portuguesa, realçou igualmente a importância do Fórum Macau, salientando que desde a sua criação, há 15 anos, as trocas comerciais entre a China e os mercados lusófonos aumentaram 11 vezes e as áreas de cooperação passaram de sete para 20.