Apesar do interesse que Moçambique desperta noutros países, como a China, o vice-primeiro ministro de Portugal mostra-se confiante na exploração deste mercado. Paulo Portas sublinhou que existem 2700 empresas portuguesas a investir em Moçambique e que os dois Estados já se comprometeram a fazer tudo para crescer 50% nas relações comerciais. Aplaudiu ainda o acordo de paz assinado entre o Governo moçambicano e a oposição
Portugal conta com um pavilhão de 50 empresas na Feira Internacional de Moçambique (FACIM) e outras 100 estão espalhadas pelo recinto à procura de novas oportunidades ou a consolidar o mercado. O vice-primeiro ministro português, Paulo Portas, voltou a marcar presença no evento e surgiu munido de números para mostrar que, embora Moçambique esteja a gerar competição pelo interesse de vários países, como a China, Portugal tem armas para continuar a ser um dos líderes de investimento no país.
“Em economia aberta a regra é competir, mas acho que os números provam que os portugueses são muito bons em Moçambique. As nossas empresas são muito competitivas, temos uma capacidade de integração natural na sociedade Moçambicana e de estabelecimento de parcerias, ou seja, não queremos fazer tudo sozinhos”, disse Paulo Portas aos jornalistas quando questionado sobre os desafios que Portugal iria enfrentar face ao interesse de outros países. “Claro que a concorrência puxa por nós, mas temos um lugar na FACIM que é o de um país muito forte no mercado”, acrescentou.
Paulo Portas marcou presença na FACIM pela quarta vez e diz que a participação portuguesa está mais forte. “Vejo sempre mais empresas portuguesas, mas empresas portuguesas em parceria com empresas moçambicanas. O volume das exportações de Portugal para Moçambique cresceu 13% no ano passado”, afirmou, recordando o acordo entre os dois países. “O compromisso dos dois Estados, assumido muito recentemente, é fazer tudo o que estiver ao seu alcance para crescer mais 50% nas relações comerciais entre os dois países. Há 2.700 empresas portuguesas a trabalhar no mercado moçambicano, o que significa que quanto se fizer aqui mais estamos a dar solidez e garantir os postos de trabalho das empresas na sua rectaguarda em Portugal”.
O vice-primeiro ministro deixou Moçambique antes do Encontro de Empresarial para a Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa, mas mencionou o triângulo económico Macau-China-PALOP. “Nós somos um país muito interessado no chamado Fórum Macau com quem temos um diálogo permanente e que é um fundo que a República Popular da China decidiu criar tendo como plataforma Macau, o que pode envolver naturalmente empresas chinesas, mas também lusófonas para direccionar do ponto de vista da construção do processo em mercados como os lusófonos e especificamente Moçambique”, disse Paulo Portas. “Nós temos um contacto permanente com o Fórum Macau e estive recentemente em Macau com as autoridades chinesas e desenvolvemos essa linha de parceria através do chamado fundo de Macau para os países lusófonos, o qual constitui uma linha de oportunidades para as nossas empresas”.
Paulo Portas aproveitou ainda a visita a Moçambique para fazer contactos com as autoridades locais e “desejar naturalmente que o processo democrático e eleitoral” no país “corra da melhor forma possível”. “A paz e a democracia foram uma grande conquista dos moçambicanos”, frisou. “Ficamos evidentemente satisfeitos que o diálogo seja mais forte do que o confronto e que haja entre as várias forças políticas relevantes uma capacidade de entendimento”, observou o vice-primeiro-ministro, destacando “a solidez das instituições”, depois de se saber que o Presidente moçambicano e a Remano, principal partido da oposição, assinaram um acordo de paz no domingo.
F.A.
AICEP quer conciliar empresas lusas
e investimentos chineses em África
O vice-presidente da Agência para a Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) considerou ontem, em Maputo, que as empresas portuguesas podem intermediar os investimentos chineses em países com recursos naturais como Moçambique, atendendo aos conhecimentos que possuem. Para Pedro Ortigão Correia, que falava à margem do X Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa, que Maputo recebe até hoje, a inexistência de recursos naturais em Portugal é compensada, nas relações com a China, pelas capacidades das empresas portuguesas, com grande experiência de atuação em economias em desenvolvimento, como Moçambique ou Angola. “Infelizmente, Portugal não tem recursos naturais, mas tem empresas com conhecimentos para explorar essas reservas. Este é o casamento perfeito, porque as diferenças das economias em termos dos seus estágios de desenvolvimento faz com que estes países precisem do apoio das nossas empresas”, afirmou em declarações à Lusa o vice-presidente da AICEP.




