
Resultado do inquérito revelou queda no índice de felicidade (FOTO WONG SANG)
Um novo estudo sobre o índice de felicidade, encomendado por Melinda Chan, concluiu que os residentes de Macau estão menos felizes, sobretudo os da classe média. Sublinhando que o índice atingiu o resultado “mais baixo de sempre” no âmbito deste estudo, a deputada advertiu que “o Governo não deve ignorar” as preocupações dos residentes, nomeadamente na área da habitação
Susana Diniz
O índice geral de felicidade em Macau baixou para 70,4%, revela um novo estudo que foi encomendado pelo gabinete da deputada Melinda Chan à Associação Sin Meng e realizado pela “Macao Polling Research Association”.
O cálculo do índice geral tem em conta os graus de satisfação e felicidade subjectiva. No primeiro caso, foram considerados factores como a saúde, o relacionamento familiar (os dois mais importantes), bem como a segurança pessoal e liberdade, entre outros. O índice subjectivo tem como base as respostas sobre a felicidade futura que são influenciadas consoante o nível de vida dos inquiridos.
Segundo explicou Melinda Chan, o estudo revelou que quanto maior é a idade dos residentes, maior é também o nível de felicidade subjectiva, seguindo-se as pessoas que possuem casa própria, à frente de factores como a saúde, relações pessoais, salários elevados e oportunidade de progressão de carreira.
Em relação ao estudo do ano passado, tanto o índice de felicidade subjectiva como o nível de satisfação geral diminuíram, embora continuem num nível médio alto. Contudo, Melinda Chan sublinhou que se trata do resultado “mais baixo de sempre” deste estudo. “O Governo não deve ignorar estes resultados, pois indicam que os residentes de Macau estão subjectivamente num nível mais baixo de felicidade, o que influencia o seu índice de satisfação geral”, disse.
Classe média é a menos satisfeita
Outro indicador do relatório, “que requer uma atenção redobrada”, aponta a classe média como a menos feliz. O nível de felicidade dos residentes em diferentes grupos varia entre 67,8% e 72,5%. Entre todos os escalões analisados, destacaram-se, pelo piores resultados, dois grupos que auferem salários mensais entre 10.001 e 15.000 patacas e 15.001 e 20.000. “Esta classe, considerada a classe média de Macau, está no intervalo entre as famílias que não são beneficiadas pelas políticas destinadas à melhoria da população, também conhecidas por políticas de bem-estar, que têm como principais beneficiários os grupos mais desfavorecidos”, comentou a deputada.
Melinda Chan alertou também que, sem políticas desenhadas para a classe média, que suporta uma carga fiscal muito maior do que os grupos mais desfavorecidos, essa franja da sociedade sente-se negligenciada.
Segundo o estudo, que envolveu 1.502 pessoas, 63,4% dos inquiridos pensam que as políticas governamentais para a classe média não são suficientes.
Do total de participantes no inquérito, 96,6% disseram mesmo desconhecer políticas específicas do Governo para a classe média. As medidas mais “desconhecidas” são a redução ou o reembolso de impostos e a política de habitação.
Ênfase na habitação
As políticas de habitação são – para quem as conhece na totalidade ou em parte – as que geram maior descontentamento da população. Em 2012, a política de habitação foi classificada como uma das mais importantes para a felicidade, com 79,9%, mas este ano a percentagem subiu para 81%.
Contudo, o nível de satisfação com as medidas para a habitação é o mais baixo entre todas as áreas avaliadas, sendo inferior em 20% à política de bem-estar para a terceira idade. A habitação foi classificada como a categoria menos satisfatória pelo quarto ano consecutivo. Para Melinda Chan, isso “reflecte que a actual política da habitação não é adequada e é incapaz de resolver os problemas habitacionais”.
Para fazer face a esta insatisfação, a deputada sustenta que o Governo devia aumentar o número de terrenos disponíveis para habitação. “Em relação à habitação pública, apesar dos 19.000 fogos disponibilizados, ainda estão em fase de discussão novos projectos e os residentes sentem-se descontentes com o regime aplicado pelo Governo”, explicou Melinda Chan.
Na perspectiva da deputada, “as novas políticas não trouxeram melhorias”. “O Governo devia criar uma política de habitação clara e a longo termo, para oferecer às famílias mais oportunidades para comprarem os seus próprios apartamentos”.
Salário mínimo pode fazer sorrir
O estudo analisou também o impacto da planeada definição de um salário mínimo na felicidade dos residentes, tendo 35% dos inquiridos afirmado que seriam mais felizes se fosse implementada essa medida. Já 26,1% acreditam que não lhes faria diferença e 27,7% reconhecem que a criação do salário mínimo não os faria mais felizes.
No entanto, essa estatística varia de acordo com o sexo, a idade, habilitações académicas, ocupação e o nível salarial. Os jovens entre os 14 e os 17 anos são os que mais acreditam nas vantagens do salário mínimo. Residentes com formação superior, empregados, estudantes, profissionais de chefias e serventes da construção civil acham que o ordenado mínimo pode garantir mais estabilidade às pessoas que auferem salários mais baixos. Trabalhadores por conta própria e comerciantes acreditam que esta política poderá “transferir os custos para os consumidores” e “aumentar os custos fixos de pequenas e médias empresas”. Por outro lado, empregadas domésticas, reformados, desempregados e trabalhadores do sector do jogo não conseguem avaliar o impacto da implementação do salário mínimo.
“Se o Governo já terminou o período de consulta pública sobre esta nova política, deve publicar os resultados o mais brevemente possível. E, ao definir os parâmetros e os valores de um ordenado mínimo, deve considerar os diferentes segmentos da sociedade, bem como estabelecer medidas sólidas com legislação adequada para responder aos interesses da população”, salientou Melinda Chan.



