A primeira via de ligação entre Macau e a Taipa, há 40 anos, deu o mote para o crescimento económico que se verificou no território até hoje. Quem o diz é Addy Chan vice-presidente da direcção da Associação dos Engenheiros. Chau Iat Meng, engenheiro envolvido na obra vai mais longe, ao dizer que a ponte deu “um futuro” a Macau
A Fundação Rui Cunha acolheu ontem o pré-lançamento da exposição fotográfica que celebra o 40º aniversário da Ponte Nobre de Carvalho, a primeira ligação entre Macau e a Taipa. A mostra inclui fotografias e desenhos da ponte que foi considerada pelo vice-presidente da direcção da Associação dos Engenheiros de Macau, Addy Chan, como um marco no desenvolvimento económico do território.
“Antes da construção da ponte, a economia da Taipa e de Coloane era muito precária, baseava-se em pequenos estabelecimentos e as pessoas que lá viviam eram essencialmente agricultores e pescadores”, afirmou.
Chau Iat Meng, um dos engenheiros envolvidos na obra, disse em declarações ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU que Edgar Cardoso “deu às pessoas de Macau um grande presente: deu-nos um futuro”.
Para o engenheiro, a obra foi “uma honra e um desafio” pelo facto de nunca antes ter trabalhado na construção de uma ponte. Acrescentou que foi “uma sorte” ter Edgar Cardoso como orientador do projecto pois teve a oportunidade de “aprender muito com ele”.
Com o objectivo de adquirirem mais conhecimentos, viajaram até Hong Kong e ao Japão porque “em Macau não se tinham construído pontes”, explicou.
Addy Chan salientou que depois de a via ser construída, a economia da Taipa e de Coloane cresceu rapidamente sendo esse desenvolvimento hoje visível pela existência do COTAI. “Se esta ponte não tivesse sido criada há 40 anos, não sei se a região se tinha desenvolvido assim”, referiu o vice-presidente da Associação dos Engenheiros, que recordou a altura em que era necessário um barco para a deslocação à Taipa.
Hoje a ponte é utilizada apenas por transportes públicos, mas para Addy Chan mantém um papel importante enquanto “representação das relações entre a cultura chinesa e a cultura portuguesa”, porque a construção esteve a cargo de uma empresa de Macau, mas sob a alçada de Edgar Cardoso, de nacionalidade portuguesa.
A obra teve início em 1970 e terminou em 1974, tendo sido inaugurada a 5 de Outubro desse ano.
Na Fundação Rui Cunha estão expostas cerca de 40 fotografias e desenhos que ilustram a evolução dos trabalhos. O Centro de Ciência recebe a partir de hoje a componente mais técnica da mostra.
I.A.




