Após nove anos de construção e um investimento superior a 120 mil milhões de dólares de Hong Kong, a Ponte do Delta será inaugurada amanhã em Zhuhai e vai abrir ao trânsito no dia seguinte. As autoridades garantem estar tudo a postos para a entrada em funcionamento
Liane Ferreira*
Às 09:00 de quarta-feira, a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau será oficialmente aberta ao trânsito. Amanhã pela mesma hora, no Edifício do Posto Fronteiriço de Zhuhai da ponte, decorrerá a cerimónia de inauguração, que deverá ser presidida pelo Presidente chinês, Xi Jinping, e vai contar com a presença dos Chefes dos Executivos das RAE.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do Governo, Victor Chan, frisou que a mega infra-estrutura de 55 quilómetros, incluindo ponte e túnel subaquático, vai “incrementar o fluxo de pessoas, mercadorias e de capital entre estes três territórios, contribuir para o desenvolvimento da economia local, a cooperação regional, alargando a dimensão e a escala do mercado para Macau”. Deste modo, a ponte, que custou mais de 120 mil milhões de dólares de Hong Kong, oferecerá “novas oportunidades de negócio a empresas e investidores”, que terão um novo acesso a um conjunto de nove cidades chinesas, com mais de 60 milhões de pessoas.
De acordo com a 2º Comandante da PSP, Lau Wan Seong, existem 68 passagens para a inspecção fronteiriça, onde será aplicado um modelo integral, que inclui um canal electrónico de três portas, balcões semi-automáticos e manuais. O “modelo de inspecção fronteiriça integral” é usado pela primeira vez na China e no mundo, referiu, acrescentando que este método “inovador” elevará a eficácia dos procedimentos. As autoridades esperam 250 mil passagens diárias.
Na fase inicial, o posto fronteiriço entre Macau e Zhuhai irá funcionar entre as 08 horas e as 22 horas, podendo mais tarde estar aberto 24 horas. Já o posto de Hong Kong funcionará durante 24 horas, pelo que os residentes que queiram deslocar-se a Zhuhai entre as 22 horas e as 8 horas da manhã podem usar a passagem de veículos ou de visitantes da zona de migração Macau- Hong Kong.
A circulação de veículos entre as três regiões funcionará sem interrupção horária, existindo 36 filas de entrada e saída, 18 em cada sentido. A zona de migração para visitantes entre Hong Kong e Macau terá horário ininterrupto, sendo composta por 44 canais de entrada e saída e 60 canais electrónicos.
Em termos do trânsito local, Lam Hin San, director dos Serviços dos Assuntos de Tráfego, explicou que a via de acesso entre a Rotunda da Amizade, a Zona A e a ilha artificial será aberta ao público. Os veículos poderão entrar directamente por esta via, através da Rotunda da Amizade.
Os auto-silos Este e Oeste serão usados por visitantes e residentes de Macau, sendo disponibilizados 3.000 lugares para automóveis de visitantes no primeiro parque e 3.089 para ligeiros e 2.054 para motociclos de residentes, no segundo auto-silo. Macau tem uma quota de 600 automóveis autorizados a circular na ponte, 300 comerciais e 300 privados.
No entanto, os autocarros serão o principal meio de transporte na ponte, estando previstas mais de 200 partidas diárias. Os autocarros 101 X e 102 X irão fazer a ligação entre Macau (24 horas) e a Taipa (7 e 23 horas) e o novo posto de alfândega na ponte.
Em declarações aos jornalistas, o Secretário para a Segurança garantiu que na alfândega do posto transfronteiriço da RAEM está “tudo a postos, tanto ao nível de pessoal como de equipamentos”. O novo “posto transfronteiriço trouxe naturalmente alguma pressão no que concerne à distribuição de pessoal”, admitiu Wong Sio Chak, sublinhando, porém, que os Serviços de Alfândega, os Bombeiros e o Corpo da Polícia de Segurança Pública procederam a um bom trabalho de destacamento de funcionários, correspondendo às necessidades.
Wong Sio Chak assegurou ainda que o modelo de inspecção integral não levará à troca de dados entre Macau e Zhuhai.
Rotunda da Amizade será redesenhada
Ciente de que o aumento do tráfego na Rotunda da Amizade e na zona norte é uma das maiores preocupações da população, Lam Hin San reconheceu que se prevê “um grande fluxo de trânsito a curto prazo da rotunda da Amizade para a zona A e Ilha Artificial”. Para aliviar o problema, a DSAT garante ter desenvolvido planos a curto e longo prazo, sendo que será alargado o número de vias e melhorado o sistema de semáforos para acelerar o fluxo de viaturas.
A longo prazo, o organismo pretende começar o estudo e design de rectificação da Rotunda da Amizade, sendo que o objectivo é concluir esta fase em 120 dias.
As autoridades vão tentar usar o terreno recuperado do “Pearl Horizon” para aliviar a pressão de tráfego na zona, durante as obras de alteração da rotunda de acesso.
Mais oportunidades para empresários lusófonos
O secretário-geral adjunto do Fórum Macau acredita que a abertura da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vai ajudar os empresários lusófonos a entrarem nos mercados de regiões que têm “parte significativa do Produto Interno Bruto” chinês. “Para os empresários dos países de língua portuguesa é naturalmente uma forma de entrar na China de uma forma mais eficaz e directa junto das regiões da China que têm hoje uma dinâmica e uma expressão muito significativa”, afirmou à Lusa Rodrigo Brum, frisando que o Fórum Macau vai dar “algum enfoque adicional” à região da Grande Baía. Em relação aos desafios para os empresários lusófonos, apontou que o mercado chinês é “enorme e também muitíssimo dinâmico especialmente nestes últimos anos”, criando “algum desequilíbrio que implica mais esforço e uma necessidade de os países acompanharem esta dinâmica”. Para Rodrigo Brum, as empresas lusófonas devem apostar no comércio electrónico.
*Com C.A.



