Numa carta aberta enviada à “Polytex”, o Governo “não exclui” a possibilidade de tomar “outras acções”, caso a companhia encare a indemnização aos lesados com uma “atitude negativa”. Porém, segundo Leonel Alves, a empresa “sempre manifestou publicamente a intenção de honrar por completo todos os seus compromissos”, isto é, “restituir na íntegra tudo o que recebeu dos compradores”

 

Catarina Almeida

 

O Governo “não exclui a possibilidade de vir a tomar outras acções” caso a Sociedade de Importação e Exportação “Polytex” assuma a questão da indemnização com uma “atitude negativa”, “prejudicando os interesses dos compradores das fracções autónomas em construção”. Em comunicado, referindo uma carta dirigida à empresa, o Gabinete do Porta-voz do Governo insta a “Polytex” a “cumprir o espírito do contrato e as responsabilidades legal e social”, isto é, “indemnizando” os lesados de “forma activa e o mais breve possível”.

No entanto, segundo Leonel Alves, a empresa “sempre manifestou publicamente a intenção de honrar por completo todos os seus compromissos”. “Esta é a base com a qual aceitei para poder patrocinar”, disse à TRIBUNA DE MACAU. “A empresa desde há muito que tinha afirmado que honraria todos os seus compromissos nos termos da lei. E nesses termos entende que deve restituir na íntegra tudo o que recebeu dos compradores. Precisa, porém, de algum tempo para a realização do capital necessário para esse pagamento”, esclareceu o advogado.

Sem especificar montantes, dizendo apenas que “são muito elevados”, Leonel Alves garante que a “empresa tem capacidade mais do que suficiente para satisfazer isso. Todavia, precisa de tempo para realizar em dinheiro alguns dos seus activos”. Em todo o caso, o causídico não quis especificar quanto tempo poderá estar em causa. “Não estou dentro do assunto e não me atrevo, publicamente, a dizer datas sob pena de incorrer em inverdades. O que interessa é que a postura da empresa é de honrar, nos termos da lei, todos os seus compromissos”, insistiu.

A esse nível, disse ainda que a “Polytex” procurará resolver o caso directamente com a Associação dos Compradores do “Pearl Horizon” estando já agendadas reuniões para breve para “discutirem os pormenores deste possível acordo”. “Pode haver divergências quanto ao montante indemnizatório pretendido. Uns querem mais do que o preço, outros querem as diferenças de preço, outros querem danos morais, portanto, há uma variedade enorme e multifacetada de situações que têm de ser analisadas caso a caso”, explicou.

Questionado sobre o eventual pedido de indemnização ao Governo no valor de 60 mil milhões, o advogado diz que essa é “uma questão interna da empresa” que não pode divulgar.