Com mais de dois milhões de visualizações da transmissão online da competição, o resultado do festival internacional de “esport” foi considerado pelo seu organizador, Fernando Pereira, como positivo. Depois de edições na Ásia e na Europa, a iniciativa que pretende discriminar positivamente as jogadoras femininas do desporto, quer passar por todos os continentes

 

Salomé Fernandes

 

A organização Grow uP eSports começou em Portugal em 2002, tendo posteriormente expandido para a Ásia através de Macau. E foi cá que em 2017 se realizou a primeira edição do festival internacional “GirlGamer”, com o objectivo de promover a inclusão das jogadoras femininas nos “esports”. Na segunda edição, o evento rumou para Portugal entre 20 e 22 de Julho, tendo tido resultados positivos.

“O evento tinha como principal tema a inclusão, tendo sido super positivo para todo o ecossistema dos esports, e surpreendeu-nos a nós próprios pela adesão e pelo bom feedback que obtivemos por parte de toda a comunicação internacional mesmo pelas equipas em si”, comentou Fernando Pereira, co-fundador do “Grow uP eSports” e organizador do “GirlGamer”, à TRIBUNA DE MACAU.

Em causa estavam torneios de “League of Legends” e “CS:GO” num total de 20.000 euros em prémios. Mas o programa de actividades não se limitou ao jogo em si, tendo incluído um ciclo de conferências que passou por temas como a aplicação dos treinos dos desportos tradicionais aos “esports”, à combinação desta prática com realidade aumentada.

A final do torneio de “League of Legends” foi disputada entre as “Zombie Unicorns” e as “Asus Rog Army”, tendo sido a primeira equipa a arrecadar a vitória. Já em CS:GO, o topo foi ocupado pela organização britânica “Team Dignitas”.

No total, em três dias de festival, estiveram envolvidas oito equipas, 40 jogadores e 19 oradores, para além da adesão do público, que aumentou esta dimensão. “Tivemos alturas do dia em que o Salão Preto e Prata estava cheio de fãs a assistir e aplaudir as equipas, mas os números principais foram na transmissão online. Ainda estamos a juntar todas as estatísticas, mas já temos a previsão de ter superado dois milhões de visualizações online”, disse Fernando Pereira.

Não se sabem ao certo os números de jogadores em Macau divididos por género, mas o organizador considera que o território se pode considerar alinhado com as estatísticas a nível mundial, com cerca de 30% de participação feminina nos jogos, e entre 1 e 2% na sua vertente competitiva. O problema prende-se com as diferentes facilidades de acesso ao alto nível da competição.

“Penso que para podermos ver mais inclusão a nível global, é necessário que se criem actividades de discriminação positiva para motivar este grupo que é minoritário”, explicou. É nesse sentido que a organização produz um documentário todas as edições. “Serve para criar a consciência do problema e das barreiras de entrada que existem para as jogadoras, sendo que mais e mais pessoas vão alterando os seus comportamentos no meio online, a favor da inclusão”, indicou.

Não se sabe ainda onde é que o festival vai ter lugar no próximo ano, mas para já a organização não tem planos de o voltar a fazer em Macau. Fernando Pereira referiu apenas que “o que aqui começou, tornou-se global, e para já queremos colocar um pé em cada um dos continentes pelo mundo fora”.