A Associação de Pequenas e Médias Empresas de Macau lançou ontem um livro branco, sugerindo uma maior integração desse tecido empresarial na dinâmica turística, criando o “grande sector do turismo”. O estudo defende a criação de marcas simbólicas da cidade e a promoção de visitas temáticas. Entre várias medidas, a associação sugere o lançamento de um sistema de “vales de inovação”

 

Rima Cui

 

No “Livro Branco: Estudo sobre Estratégia de Desenvolvimento para Pequenas e Médias Empresas de Macau 2017-2018”, é sugerido um projecto designado por “grande sector do turismo”, ou seja “baseado na diversificação das indústrias”. Este conceito passa por diversas combinações entre o turismo e outros sectores, criando marcas simbólicas da cidade e beneficiando as pequenas e médias empresas (PME) que dizem sentir cada vez mais dificuldades operacionais.

A Associação de Pequenas e Médias Empresas de Macau, promotora do “Livro Branco”, entende que muitos sectores emergentes devem ter ligação estreita ao turismo local. Entende que deve ser promovido, por exemplo, o turismo temático, nomeadamente grupos turísticos exclusivos de convenções e exposições, de medicina chinesa ou grupos culturais e criativos.

Nesse sentido, insta o Governo a criar uma comissão destinada à divulgação de marcas da cidade, acompanhada por um fundo específico, que serviria para incumbir instituições de ensino superior de estudarem o turismo temático. Nesse processo, o documento defende a necessidade de recolher opiniões da população e empresas locais, dando ênfase a ideias criativas. Assim, seria necessário adicionar novos pontos turísticos que correspondam a certos temas.

Para a Associação de Pequenas e Médias Empresas de Macau, para além da interacção entre os sectores, a integração regional é outro dos pontos mais importantes. Como solução, defende a criação de uma grande aliança com associações de turismo das cidades da Grande Baía. As sugestões para criar novos pontos turísticos incluem construções históricas, fábricas antigas ao abandono, sendo que as entidades privadas são encorajadas a desenvolver nesses sítios “espaços de criatividade colectiva”, uma nova tipologia de pontos turísticos. Na China Continental, já se encontram 4.600 espaços deste tipo.

Para essa ideia avançar, a associação sublinha que importa disponibilizar benefícios fiscais e cursos de formação de área de criatividade, para garantir um desenvolvimento profissional dos espaços.

Quanto aos produtos turísticos, como lembranças e alimentos, a associação propõe a criação de um centro de impressão de 3D para fazer uma produção padronizada. Nesse domínio, espera que o Governo financie as PME, sobretudo as ourivesarias, na aplicação da técnica de impressão 3D.

 

“Vales de inovação”

No campo científico, Stanley Au, presidente da associação, apelou à atribuição de apoios para empresas locais comprarem direitos de propriedade intelectual a universidades ou instituições de investigação, com um modelo de retenção do design, financiamento, marketing em Macau e de transferência do processo de produção para o parque industrial da Ilha da Montanha.

No Livro Branco, está também em destaque uma sugestão de lançamento de um sistema de “vales de inovação”, divididos em dois tipos: “vale de inovação científica” e “vale de criatividade”. Segundo a proposta, como organismo responsável pelo sistema, os Serviços de Economia poderiam atribuir a cada PME qualificada 10 vales de inovação científica no valor de 10.000 patacas e 10 de criatividade no mesmo valor por ano.

O vale de “inovação científica” seria usado para adquirir equipamentos de informações e ciências e contratar assessores estrangeiros. Já o “vale de criatividade” possibilitaria comprar serviços de empresas culturais e criativas locais.

Foi ainda sugerido o lançamento de um visto de empreendedor para quem criasse uma empresa ligada ao “grande sector de turismo” ou que ocupe um cargo importante nessa empresa. Neste modelo, para além de ser autorizada a permanência do cônjuge, pais ou filhos do empreendedor, é preconizada a implementação de um sistema de pontos para avaliar se a pessoa poderia ou não obter o BIR permanente de Macau depois da expiração do prazo do visto.