Para o Chefe do Executivo, o problema da habitação para jovens surgiu em resultado da vontade destes serem mais independentes, o que os leva a sair de casa dos pais mais cedo. Apesar disso, admite incluir fracções especiais para os jovens nos planos de habitação social, aos quais será dada continuidade no próximo mandato do Governo

 

Salomé Fernandes

 

A habitação especial para jovens vai ser tida em consideração nos planos do Governo, indicou ontem o Chefe do Executivo, ao salientar que há 10 anos a situação era diferente, porque os jovens viviam com os pais e só depois de um período de tempo nesse contexto de poupança é que ponderavam adquirir uma facção.

“Ultimamente tive contacto com associações jovens e parece-me – não o digo por preconceito – que os jovens de hoje em dia gozam de boas condições. Têm 15 anos de escolaridade gratuita, acesso ao ensino superior e boas oportunidades de empego”, comentou. O problema surge porque “hoje em dia jovens já têm um outro pensamento, querem o seu próprio espaço e um maior grau de liberdade”, indicou Chui Sai On.

Assim, frisou que “neste ambiente” os jovens devem elevar a sua competitividade, considerando que no planeamento geral da Grande Baía também devem ter a sua quota de participação. Depois de levantada a dificuldade dos jovens em comprar casa, Lam Lon Wai apresentou reservas quanto aos planos para nova habitação pública e Au Kam San sobre a habitação económica.

“O planeamento que recentemente divulgámos teve por base essas necessidades de satisfação das necessidades dos residentes. Habitação para todos é um princípio do governo tem vindo a ser cumprido”, sublinhou o Chefe do Executivo relativamente à habitação pública.

Para além disso, Chui Sai On prometeu que a mudança governativa não vai afectar as informações já divulgadas junto da sociedade e que não terá um impacto muito notório nestas políticas. O mesmo se aplica às fracções na Zona A dos Novos Aterros. “Deixei o compromisso de 28.000 fracções e a sua concretização não será afectada pela mudança do Governo”.

 

Prevenir especulação nos Novos Aterros

O deputado Ng Kuok Cheong planeia entregar ao Chefe do Executivo uma proposta de lei com o objectivo de regular a aquisição de habitação e lotes privados nos Novos Aterros. A informação foi ontem avançada pelo deputado à margem da sessão plenária da Assembleia Legislativa.

“O mais importante na nossa proposta é que pretende [impôr] um limite na compra de qualquer propriedade nos Novos Aterros. Esta lei deve ser feita antes de qualquer habitação ou lote privado ser concedido nestes terrenos. Se já houver alguma concessão vai prejudicar as pessoas. Temos de ter uma lei antes de se fazer qualquer concessão”, disse Ng Kuok Cheong.

Este documento deverá ser entregue até 15 de Agosto, momento em que entram as férias legislativas, sendo que o deputado garante que vai manter contacto com o gabinete do Chefe do Executivo nesse seguimento. Apesar da proposta já estar preparada, “ainda a estamos a examinar com alguns profissionais da área do Direito”.

Durante a sessão, Ng Kuok Cheong frisou a necessidade de combate à especulação imobiliária nos Novos Aterros, tendo o Chefe do Executivo explicado que nenhuma concessão foi ainda feita.

 

Reservados lotes para lares de idosos

Em resposta ao envelhecimento populacional, o Chefe do Executivo informou que serão reservadas duas parcelas de terrenos para edifícios com equipamentos sociais, que deverão servir à criação de quatro lares de idosos. Para além disso, será criado um centro de dia para idosos na praia do Manduco, e o Governo vai  apoiar as instituições a aperfeiçoar os edifícios sem barreiras electrónicas, de forma a facilitar a deslocação dos utentes. Nomeadamente, através de equipamentos para facilitar a subida e descida de escadas.