Na apresentação das LAG, a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura adiantou ter visto, há alguns dias, a versão final do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau, antevendo a conclusão deste documento no próximo ano. Entre algumas tarefas traçadas para 2024, Elsie Ao Ieong U destacou ainda a criação de marcas baseadas nalgumas manifestações do património cultural intangível e o lançamento de um plano de formação para o crescimento das empresas culturais e criativas
A Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, revelou ontem ter visto recentemente a versão final do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau e espera que o documento fique pronto em 2024.
Durante a discussão sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2024, Elsie Ao Ieong U explicou que a elaboração do Plano Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico demorou vários anos porque houve “várias trocas”, uma vez que a proposta foi submetida à apreciação da Administração Nacional do Património Cultural da China e ao Comité do Património Mundial da UNESCO. Depois dos dois organismos terem emitido opiniões, o documento com alterações teve de ser novamente entregue.
Além disso, a Secretária revelou que, no espaço de menos de um mês após o lançamento do Plano de Apoio Financeiro para a Revitalização de Edifícios Históricos, foram apresentados quatro pedidos, os quais estão a ser apreciados. A governante salientou que deseja, através desse plano, estimular prioritários a revitalizarem os seus bens imóveis de património cultural, cooperando até com entidades comerciais nesse sentido. No entanto, reconheceu que existem construções privadas sem condições para a revitalização, pois estão a ser usadas para diferentes fins ou a alojar pessoas.
Destacando o aproveitamento da tecnologia e da música para se integrarem no Património Mundial de Macau, como a possível continuação de concertos junto às Ruínas de São Paulo, Elsie Ao Ieong U disse pretender apoiar o desenvolvimento de marcas de propriedade intelectual baseadas nalgumas manifestações do património cultural intangível de Macau. Segundo revelou, “já existem alguns conceitos” sobre essa matéria.
A par disso, o Governo da RAEM irá seguir a tendência mundial de “proteger primeiro e revitalizar depois” por forma a fazer um bom aproveitamento das construções patrimoniais. Segundo especificou, a Fortaleza do Monte e a Rua da Felicidade são exemplos que adoptam o modelo de acolher certas actividades em dias normais e outras temáticas em ocasiões festivas.
No âmbito do património cultural, em 2024, o Governo irá ainda concluir o procedimento do 4º Grupo Proposto para Classificação de Bens Imóveis de Macau e desenvolver os trabalhos relacionados com o 1º Grupo Proposto para Classificação de Bens Móveis de Relevante Valor Cultural. Em simultâneo, continuará a promover actividades de revitalização das seis zonas históricas conjuntamente com as seis operadoras de jogo.
Por outro lado, a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura prometeu empenho das autoridades nos trabalhos preparatórios das actividades comemorativas do próximo ano e na “promoção sistemática” da construção de “Uma Base”. Também em 2024 será inaugurada a Biblioteca do Bairro da Ilha Verde e impulsionada, de forma ordenada, a construção da Nova Biblioteca Central.
Para além de dar continuidade à implementação dos planos de apoio financeiro para promover o desenvolvimento de serviços e produtos relacionados, como cinematográficos, televisivos e exposições culturais locais, o Governo irá criar o “Plano de formação para o crescimento e desenvolvimento das empresas culturais e criativas”. Esta iniciativa visa reforçar a capacidade de desenvolvimento “sustentável” das empresas culturais locais.
Além disso, desde a entrada em funcionamento em Julho deste ano, o Teatro-Estúdio do Centro Cultural já acolheu 19 programas, 100 actividades e recebeu 3.500 espectadores. Segundo adiantou a Secretária, as autoridades estão a tentar seleccionar mais espaços na Zona A dos Novos Aterros destinados a acolher ensaios e exposições, tendo já sido confirmados “muitos locais”. Nesta fase, estão a ser ponderadas questões relacionadas com o design e a distribuição de funções que só serão conhecidas pelo público quando as respectivas instalações forem construídas.
Ampliar efeitos dos festivais e eventos
Ademais, Elsie Ao Ieong U prometeu que as autoridades continuarão a expandir os efeitos dos festivais e eventos culturais e desportivos. Através da organização de competições desportivas e de espectáculos de grande escala em Macau, a Secretária acredita que “será possível ainda mais unir as empresas privadas e as integradas de turismo e lazer, tendo em vista a complementaridade das suas vantagens, no sentido do empenho em transformar Macau numa ‘Cidade das artes do espectáculo’ e moldar a sua imagem como uma ‘Cidade desportiva’”.
Neste aspecto, a titular da pasta dos Assuntos Sociais e Cultura enfatizou que a criação dessas duas marcas da RAEM tem como objectivo final “fazer evoluir indústrias”. Exemplificando que a realização do Grande Prémio de Macau (GPM) resultou também num volume de venda “bastante satisfatório” dos produtos culturais e criativos criados pelo sector local com base no logótipo do GPM, a governante frisou que, no próximo ano, o Instituto Cultural e o Instituto do Desporto (ID) irão, com base nas experiências obtidas neste ano, cooperar com empresas na organização de eventos de grande escala. Desse modo, pretende-se atrair mais turistas e incentivá-los a usar produtos turísticos locais, fazer compras e viajar nos bairros comunitários no território.
Quanto ao desporto, para além de iniciar os preparativos para a 15ª edição dos Jogos Nacionais da Zona de Macau, o ID continuará a estudar juntamente com Zhuhai e com a Zona de Cooperação Aprofundada a realização transfronteiriça de competições desportivas.
Segundo previu o presidente do ID, até ao final do corrente ano, o volume da participação de cidadãos em actividades de desporto através da utilização das respectivas instalações poderá ultrapassar cinco milhões. Pun Weng Kun sublinhou que se regista uma tendência “cada vez melhor” nesta vertente.
“Notoriedade” do Festival da Lusofonia “expandida” até à Grande Baía
No próximo ano, “será expandida a notoriedade do Festival da Lusofonia, entre outros festivais, até à Grande Baía, potenciando o papel de Macau como plataforma”, afirmou a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Para além de continuar a impulsionar o intercâmbio desportivo entre os países ou regiões ao longo do percurso “Uma Faixa, Uma Rota” e as cidades da Grande Baía, Elsie Ao Ieong U mencionou ainda a intenção de promover a “expansão do intercâmbio e cooperação entre a RAEM e Portugal no âmbito desportivo”.



