O Governo vai fazer uma simulação de tufão no dia 28 para optimizar e avaliar os mecanismos criados depois do “Hato”. Macau conta agora com um plano de evacuação para 16 abrigos com capacidade para 23.872 pessoas. Na revisão da estratégia de combate às catástrofes foram revistos os padrões meteorológicos com medições a cada 10 minutos e criadas as categorias “tufão severo” e “super tufão”

 

Viviana Chan

 

Cerca de oito meses após a passagem do tufão “Hato”, o Governo apresentou ontem uma série de medidas, algumas em planeamento, outras já aplicadas, para a redução do impacto de catástrofes. Ma Io Kun, comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, acredita que, se Macau for afectado por um tufão com a dimensão do “Hato”, o Executivo já será capaz de cumprir o plano de evacuação das zonas baixas. O plano já está concluído e os respectivos mecanismos de reacção a catástrofes têm sido melhorados.

Segundo as informações, foram criados 16 abrigos, equipados com colchões, saco-cama, artigos de uso diário e água potável, com capacidade máxima para 23.872 pessoas. Além disso, estão designados quatro pontos de encontro para que idosos e pessoas com deficiências possam ser transportados para os centros por pessoal dos Serviços de Assuntos de Tráfego.

Criada em colaboração com o Instituto de Investigação de Segurança Pública da Universidade de Tsinhhua, a plataforma de comando de emergências é composta por cinco subsistemas: de gestão de recursos, notificação de incidentes emergentes, tratamento de incidentes, de alerta e aviso.

O Governo revelou que alguns desses subsistemas serão implementados antes de 28 de Abril para serem avaliados no simulacro de tufão, que terá lugar nesse dia.

A plataforma de comando será estabelecida num módulo nuclear e a estrutura formada este mês. O sistema pode ser optimizado em 2019. Para além disso, prevê-se que uma plataforma de comando de emergências mais sofisticada e o novo Centro de Protecção Civil sejam construídos entre 2020 e 2021.

Além disso, avançou-se com a revisão e optimização da regulamentação e padrões meteorológicos, tendo sido subdividida a categoria de tempestade tropical com intensidade de vento superior a nível 12 em “tufão”, “tufão severo” e “super tufão”.  Esta categorização uniformiza os padrões locais com os do Interior da China e Hong Kong.

O Governo planeia ainda alterar os indicadores de intensidade do vento para içar os sinais de tempestade tropical, passando a velocidade média a ser calculada para uma média de 10 minutos. Actualmente, a média é de uma hora.

Já em 2016, durante o tufão “Nida”, este critério motivou várias críticas aos SMG. O “Nida” ameaçava ser um dos tufões mais violentos mas não passou do sinal 3. Na altura, o director dos SMG, Fong Soi Kun, frisou que os padrões meteorológicos não eram actualizados há décadas.

Para além disso, já este ano, estará em funcionamento na época de tufões um mecanismo optimizado de avaliação de tempestades tropicais e de consulta, no qual participarão o pessoal da direcção e trabalhadores dos SMG da linha da frente.

 

Comportas e muros em andamento

O Chefe do Executivo indicou que o Governo tem vindo a adoptar o método de “remate de fissuras”, desde 2015, para reforçar a capacidade de controlo de inundações na linha costeira, construindo comportas e muretes de protecção contra inundações.

A curto prazo, o Executivo continuará a trabalhar nos projectos de design de muretes entre a Escola de Pilotagem no Bairro de Barra e o Edifício Portuário no Lam Mau. A directora dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água prevê que o projecto de design dos muretes esteja concluído em Maio. “Vamos tentar acelerar as obras. Esperamos que estes muretes possam entrar em funcionamento na época dos tempestades tropicais do próximo ano”, disse Susana Wong.

Já as comportas amovíveis inserem-se nas medidas a longo prazo, para retenção da maré na foz da via fluvial de Wan Chai, junto à Barra.

Na próxima quarta-feira, o Governo vai lançar o plano de apoio financeiro a pequenas e médias empresas para a instalação das plataformas elevatórias contra inundações, suportando 80% das despesas, no valor máximo de 100 mil patacas. Ao mesmo tempo, está em estudo outro plano de apoio financeiro para a instalação de comportas de prevenção de inundações, devendo ser lançado em Junho.