A Associação dos Embaixadores do Património pretende que os turistas tenham acesso a um mapa cultural, onde figurem sectores e técnicas únicas e tradicionais de Macau, dando-lhes a oportunidade de alargar o leque de experiências no território. No próximo ano, a associação vai entregar um plano concreto ao Governo para pedir apoio para a concretização desta ideia
Rima Cui
Indicar aos turistas onde se encontram concretamente tradições ou sectores antigos de Macau, para que possam conhecer elementos culturais típicos e nostálgicos do território, é o objectivo da criação do “mapa cultural comunitário”, pela mão da Associação dos Embaixadores do Património de Macau.
“Macau tem alguns sectores e técnicas únicas com potencial de serem classificados como património intangível, porém, ainda não foram descobertos”, indicou a associação à TRIBUNA DE MACAU, expressando interesse numa colaboração com o Governo para que este possa ajudar a promover um projecto semelhante. A ideia já foi transmitida ao Instituto Cultural.
Em concreto, a Associação dos Embaixadores do Património espera conseguir organizar um grupo de voluntários para fazer visitas porta-a-porta às lojas antigas, incluindo conversas com moradores, de modo a recolher informações sobre essas profissões e as respectivas técnicas antigas que até podem estar em vias de extinção. Depois, será feito um resumo das histórias dos sectores que ainda vivem nos bairros ou apenas subsistem na memória dos moradores.
“Com a modernização da sociedade, as técnicas tradicionais correm o risco de não ter sucessores, pelo que é preciso agarrar a oportunidade, ajudando os sectores antigos e únicos de Macau a ficarem registados, dando continuidade à sua história”, explicou a associação.
Para além dos sectores incluídos na lista do património cultural intangível, há muitos outros que podem ganhar um papel de relevo nesse mapa, tais como a produção de incenso, sapatos, papéis votivos, vinho de arroz e molho de camarão.
Segundo a associação, o projecto ainda está numa fase de discussão com o Governo, indo ser elaborado um plano detalhado para entregar a vários organismos públicos no próximo ano, para tentar obter apoio para arrancar.
De acordo com a associação, este tipo de mapa já tem precedentes, com em Penang, na Malásia, onde foram recolhidas e registadas 20 técnicas tradicionais, através deste trabalho.
No ano passado, o Museu de Macau realizou uma exposição onde apresentou a história e evolução de três sectores tradicionais, nomeadamente do incenso, panchões e fósforos. Como preparação para esta exposição, a Associação de História Oral trabalhou meio ano num estudo sobre sectores tradicionais, incluindo ainda a construção de embarcações e traje tradicional chinês (Qipao) feito à mão.



