No primeiro semestre deste ano, o Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança enviou 117 mensagens de alerta aos operadores das infra-estruturas críticas, mais 12 do que no período homólogo de 2025. Por outro lado, o número de incidentes de cibersegurança “manteve a tendência de descida”, tendo-se assinalado sete. Segundo indicou o director da PJ, o Centro vai concluir, em 2026, a actualização do sistema de consciência situacional relativo à cibersegurança, que melhorará a eficiência da resposta a emergências

 

VÍTOR REBELO

 

O Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança (CARIC) enviou no primeiro semestre deste ano 117 mensagens de alerta aos operadores das infra-estruturas críticas, mais 12 do que no período homólogo do ano anterior. Nos dados divulgados pelo director da Polícia Judiciária (PJ), foi dito que o CARIC colaborou e acompanhou sete incidentes de cibersegurança, o que representa uma redução de seis em relação a 2025. Manteve-se, assim, a “tendência de descida”.

Sit Chong Meng referiu também no decorrer do discurso proferido na cerimónia de entrega de prémios do “Dia da Polícia Judiciária” que, em resposta aos desafios “cada vez mais graves no domínio de cibersegurança”, o CARIC concluirá, ainda este ano, a actualização do sistema de consciência situacional relativo à cibersegurança, “reforçando a capacidade de detectar sinais de anomalias e melhorando a eficiência da resposta a emergências”.

Por outro lado, mencionou que o Centro, para além de ter lançado, nos primeiros meses de 2026, a “Regulação de técnicas de gestão de vulnerabilidades da cibersegurança”, planeia rever as duas normas em vigor: regulação de padrões de gestão da cibersegurança e regulação de alerta, resposta e comunicação de incidentes da cibersegurança.

“Estas revisões visam orientar as infra-estruturas críticas no cumprimento adequado das suas obrigações de cibersegurança e no reforço da gestão de riscos e da sua capacidade de resistência a incidentes, ao aplicarem tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e os megadados”, sublinhou.

Falando na presença do Secretário para a Segurança, Chan Tsz King, e do Procurador do Ministério Público, Tong Hio Fong, o responsável abordou também a defesa da segurança do Estado, que considera ser, “como sempre, a missão suprema da PJ”.

Indicou que a corporação conduziu investigações rigorosas sobre crimes relacionados com a segurança nacional, “para prevenir e combater eficazmente a interferência externa” e estabelecer “como meta de controlo de riscos a sua eliminação precoce e na origem, garantindo, com todos os esforços, a paz e a estabilidade da sociedade”.

Durante o discurso, Sit Chong Meng divulgou dados estatísticos no âmbito do trabalho da PJ. Assim, nos primeiros seis meses do ano, foram instaurados 6.877 processos criminais, o que representa uma diminuição de 2,5% em relação ao período homólogo do ano passado. Destes, 3.325 foram processos de inquérito e denúncia, tendo-se verificado uma redução de 3,1%.

Neste mesmo período, foram encaminhados para os órgãos judiciais 2.018 indivíduos (incluindo os detidos, não detidos e os que não atingiam a idade de imputabilidade penal), representando um aumento de 1,8%.

Durante o período em análise, registou-se um caso de ofensa grave, enquanto os homicídios e raptos se mantiveram a zero. Já os crimes violentos e graves e casos relacionados com a sociedade secreta continuaram em níveis baixos.

“Embora os crimes relacionados com o jogo tenham aumentado, não se verificou um impacto negativo na segurança da comunidade, e a situação de segurança manteve-se estável e em evolução positiva”, disse.

Quanto à burla com recurso às telecomunicações e cibernética, no primeiro semestre foram registados 113 casos de burla telefónica e 170 casos de burla cibernética, menos 14,4% e menos 43,3%, respectivamente. No mesmo período, o “Programa antiburla” registou mais de 13.500 visitas e emitiu 781 alertas de alto risco, indicou Sit Chong Meng.

Segundo lembrou, em Março, a base de dados do “Programa antiburla” foi integrada no sistema de pagamento rápido “Easy Transfer”, “reforçando ainda mais os alertas de risco”. “Para melhorar o conhecimento do público sobre burlas com recurso a IA, a PJ instalou novos equipamentos de divulgação interactiva com IA, e está a estudar a inclusão de uma função de verificação no ‘Programa antiburla’ para ajudar o público a identificar conteúdos ‘deepfake’”, revelou ainda.

De acordo com um comunicado, o “Dia da Polícia Judiciária” serviu para fazer um balanço de trabalho, elogiar os trabalhadores e equipas, aprofundar o intercâmbio entre os congéneres locais e além-fronteiras e promover uma interacção positiva entre polícia e população, bem como entre polícia e os órgãos de comunicação social.

Além de realizar o evento de entrega de prémios, focado na atribuição de menções de mérito excepcional a um total de 24 funcionários, a PJ criou este ano, pela primeira vez, a Cerimónia de atribuição de prémios “Unidos contra a criminalidade” para elogiar as associações civis, e indivíduos que fizeram contribuições extraordinárias para o trabalho de prevenção e combate à criminalidade e difundir ainda o espírito de cooperação entre a polícia e a população.

No mesmo dia, à noite, teve lugar o jantar comemorativo do “Dia da Polícia Judiciária”, que contou com a presença, entre outros, do Secretário para a Segurança, do Procurador do Ministério Público e da Comissária contra a Corrupção.