Vai inaugurar amanhã, no Albergue SCM, a mostra “Devolve o Azul aos Oceanos”, da autoria de Isabel Nunes. Segundo a artista, este conjunto de obras partiu do lixo nos mares e do “renascer” dos azuis como metáfora da limpeza dos oceanos
Intitulada “Devolve o Azul aos Oceanos”, a mostra de Isabel Nunes que estará patente no Albergue a partir das 18:30 de amanhã apresenta três conjuntos de obras que se traduzem em diferentes manifestações.
“O primeiro núcleo [traduz] uma manifestação dos nossos desejos de mergulhar no imenso espaço cósmico que nos envolve e, atravessando a porta que se abre, conduzir-nos a um novo começo mais esperançoso, em que o homem desperte e recupere a pureza da natureza e entre num mundo que mostre a beleza da criação em toda a sua plenitude, representada pela pujança do azul”, refere a autora, citada em comunicado.
Já o segundo aborda a decepção. Isabel Nunes explica que somos envolvidos por uma realidade que é a nossa, com a representação metafórica da poluição, quer a trazida pelos oceanos, quer a que nele existe, “fruto da desastrosa intervenção humana”. “Neste conjunto predominam as cinzas e as texturas construídas em torno de uma representação dos detritos que se acumulam e flutuam, absorvendo e distorcendo a cor magnífica desse gigantesco espelho de água, património da Humanidade e por ela tão maltratado”.
O terceiro conjunto de obras é constituído por duas séries de pintura sobre papel, “Written in Colors”, e um conjunto de desenhos a tinta da china sobre papel, que evidenciam o “afecto” e a “ligação” de Isabel Nunes a Macau. “O meu afecto e a minha ligação a Macau remete ao período em que aí vivi e onde tive a oportunidade de investigar acerca dos aspectos culturais que marcam o encontro das culturas portuguesa e chinesa e que fazem parte do nosso rico Património Cultural. A partir daí jamais se silenciou o meu diálogo com Macau”, pode ler-se.
Isabel Nunes refere ainda que a sua pintura é marcada “pela contemplação, construída em torno da manifestação do belo, sendo um convite ao envolvimento do espectador na observação da obra, para que, alicerçado nas suas referências, possa interpretar, registar na sua memória, sentir e meditar sobre o tema, tornando-se um protagonista activo da mudança”.
Este conjunto de obras partiu do lixo nos mares e do “renascer” dos azuis como metáfora da limpeza dos oceanos. Se por um lado predominam os cinzas e as texturas, que tal como os detritos flutuam sobre um fundo cinza, por outro, a porta abre-se para um novo renascer, em prenúncio de esperança para que o homem desperte e recupere a pureza dos mares, simbolizada nos azuis intensos, explica a artista.



