Todas as pessoas da RAEM têm vantagens em compreender o potencial e o eventual funcionamento da Grande Baía uma vez que estão inseridas nela e, de uma forma ou de outra, serão implicadas. Foi com essa ideia em mente que surgiu a necessidade de transmitir a informação de uma forma menos académica e mais acessível ao público, frisou José Luís Sales Marques, autor de um dos artigos patentes na obra ontem apresentada
Inês Almeida
Sob a chancela do Instituto Internacional de Macau, foi ontem lançada a obra “China’s Belt and Road initiative – The Rike of Macau and the Portuguese Speaking Countries”, que foi coordenada por Gonçalo César de Sá e integra artigos de quatro autores: Thomas Chan, professor em Hong Kong, Paul Mooney, jornalista, Paulo Figueiredo, investigador, e José Luís Sales Marques, que à TRIBUNA DE MACAU explicou a intenção de chegar a um público mais abrangente.
“São textos que estão redigidos de uma forma que é destinada ao público em geral, não são académicos. A nossa intenção foi procurar informar o público e particularmente o público de Macau sobre as questões da faixa e da rota, de que muito se fala mas, muitas vezes, as informações são dispersas”, sublinhou o autor de um artigo dedicado à Grande Baía, “um projecto importantíssimo para Macau”.
“O grande desafio de talvez uma das maiores metrópoles do mundo é, por um lado, o prazo que está indicado para a sua prossecução, pelo menos numa fase inicial, que é 2030. Estamos a falar de 12 anos”. Por outro lado, frisou Sales Marques, há a questão da junção de dois sistemas diferentes. “É um grande desafio mas também um dos aspectos mais interessantes e ricos que é a diversidade que esta região representa”.
Questionado sobre se esta maior integração representará um retrocesso ao nível da abertura ao exterior em Macau, o autor entende que a “maior integração” faz parte do “percurso normal dos acontecimentos na medida em que quando Macau e Hong Kong voltarem à administração e soberania plena, o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ tem no seu centro a ideia de que é um país”.
No entanto, para haver certezas quanto ao futuro de Macau é necessário conhecer o plano completo para o desenvolvimento da Grande Baía. “Esse processo vai implicar uma série de coisas que não têm uma solução muito clara à vista, aliás, o plano para a Grande Baía ainda não foi publicado. Estão só os princípios gerais”.
Apesar disso, Sales Marques acredita que o papel de Macau é claro e está relacionado com quatro funcionalidades: “Uma, é a criação de um Centro de Turismo e Lazer, a segunda é a tal plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o terceiro é muito interessante, é fazer de Macau uma base para o relacionamento intercultural entre a China e as outras culturas do mundo que é uma coisa que não tem sido muito falada e a quarta, que é já quase uma obrigação, que é a da diversificação económica e crescimento sustentável da economia”.
“Todas elas têm uma componente virada para o exterior e isso quer dizer que para Macau poder cumprir bem essas funções vai ter de trabalhar muito. Há aspectos em que Macau tem vantagens mas noutros tem grandes desafios”, frisou, acrescentando que a transmissão destas ideias tem a ver com a possibilidade de “proporcionar ao leitor uma ideia o mais realista possível dos grandes desafios e oportunidades nestes processos” até porque “todas as pessoas de Macau têm vantagens em perceber” o que implicam estas questões. “Estamos dentro desses processos e eles são os processos mais importantes que vamos ter nos próximos tempos”.
A obra foi apresentada no Consulado-Geral de Portugal em Macau por José Luís Sales Marques, Francisco José Leandro e Jorge Rangel.



