Quase 90% dos pescadores locais registam uma situação de défice nos negócios, garante um profissional com 30 anos de experiência na área, considerando que este é o “pior ano de sempre” para o sector. Para a Associação de Auxílio Mútuo de Pescadores, a solução passa por apostar em actividades de recreio ligadas à pesca
Rima Cui
Ho, um pescador com três décadas no mar, queixou-se ontem de que 2018 é o “pior ano de sempre” para os negócios do sector. Segundo alertou, entre 80% a 90% dos pescadores de Macau têm de lidar com uma situação de défice.
Apontando a redução do pescado como uma das razões principais para esse cenário, criticou as autoridades, por não fazerem um bom trabalho no combate à pesca ilegal, sobretudo à eléctrica, “acto que afecta gravemente a cadeia alimentar marinha”. “Mesmo que se prolongue o período de defeso da pesca, é difícil manter a quantidade de pescado”, lamentou ao “Ou Mun Tin Toi”.
Já Chan Meng Kam, vice-presidente da Associação de Auxílio Mútuo de Pescadores de Macau, defende que a solução poderá estar na união do sector com o turismo. Nesse sentido, sugere a realização de actividades de recreio com pescadores, durante o período de defeso, ajudando o sector a enveredar pelo caminho da transformação, podendo originar um “futuro promissor”.
Contudo, neste momento, as iniciativas só podem ser organizadas ao longo de alguns meses e o Governo autoriza pouco mais de uma dezena de pescadores a participar neste programa. Chan espera que as autoridades tornem as actividades marítimas numa prática constante e regular, para que o sector se possa “transformar verdadeiramente”.
Este ano, o período de defeso de pesca começou a 1 de Maio, prolongando-se por três meses e meio. Segundo Kwan Vai Meng, vice-presidente da Associação dos Comerciantes de Peixe Fresco, 70% a 80% do marisco e peixe de Macau são provenientes da China Continental, prevendo-se um aumento de 10% nos próximos dois a três dias.



