O volume de trabalho dos guias de língua chinesa caiu cerca de 50% em Agosto e Setembro, em termos anuais, lamenta o director da União dos Guias Turísticos. Segundo Nelson Hoi, o sector enfrenta diversos obstáculos, incluindo a perda de recursos humanos resultante da mudança de emprego de guias jovens e a aposentação gradual de outros, e as dificuldades sentidas para atrair jovens que dominem línguas estrangeiras e garantir a obtenção do Cartão de Guia Turístico
Ao longo do último ano, o sector dos guias turísticos em Macau sofreu perdas de pessoal, incluindo de um grupo relativamente jovem que mudou de emprego para ramos como os seguros e a venda a retalho, para ter rendimentos mais estáveis, segundo o director da União dos Guias Turísticos de Macau. Ao mesmo tempo, alguns guias de idade avançada resolveram não renovar o Cartão de Guia Turístico.
A situação de aposentação tem um cariz contínuo, uma vez que “mais de 50% dos guias têm idades superiores a 60 anos”, disse Nelson Hoi ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, acrescentando que alguns jovens ainda insistem nesta actividade sobretudo porque os cônjuges têm empregos estáveis.
Paralelamente ao cenário desafiante nos recursos humanos, existem também outras dificuldades ligadas à entrada de “sangue novo” no sector. Segundo explicou, por um lado, é difícil atrair guias jovens que dominem línguas estrangeiras devido à “natureza instável” do sector, embora o volume de excursões internacionais tenha aumentado em Macau nos últimos anos.
“Além disso, é muito difícil obter o Cartão de Guia Turístico e as exigências vão tornar-se cada vez mais elevadas. Desse modo, será possível haver uma lacuna de profissionais jovens no sector daqui a alguns anos. Estamos muito preocupados, pelo que temos discutido o assunto com o Governo. O sector continua a conseguir absorver anualmente novos guias de língua chinesa, muitos deles no grupo etário de 30 a 40 anos. Contudo, não recebemos quase nenhum jovem recém-licenciado”, referiu Nelson Hoi.
Anualmente, “um ou dois grupos” de guias de língua chinesa integram-se no sector, sendo “um pouco difícil” o processo de adaptação dos novos profissionais, algo que costuma demorar um ou dois anos.
De acordo com dados dos Serviços de Estatística e Censos, em Agosto deste ano, o número de entradas de visitantes que chegaram em excursões à RAEM baixou 18,8% para 162 mil, em termos anuais. Em específico, o número de excursionistas vindos do Interior da China (142 mil) desceu 24%, contrariando a subida de 30,2% dos visitantes internacionais em excursões (14 mil).
Entre os aumentos mais notórios nos mercados internacionais, o líder associativo destaca os excursionistas oriundos da Europa, Índia e Coreia do Sul. No entanto, esta tendência positiva evidenciou o problema da escassez de guias de língua estrangeira. “Há poucos guias que dominam línguas ‘minoritárias’, como por exemplo, a língua espanhola. Neste caso, por vezes, tivemos de procurar tradutores”, contou.
Dados oficiais indicam que, no final de Outubro do ano passado, a RAEM contava com 1.821 titulares do Cartão de Guia Turístico, incluindo 809 proficientes em Cantonês e 1.207 em Mandarim. Apenas 156 são fluentes em Inglês, representando 8,6% do total, 75 em Japonês (4,2% do total) e 23 noutras línguas “minoritárias”, não especificadas (1,3%).
No que respeita aos guias de língua chinesa, Nelson Hoi revelou que o respectivo volume de trabalho caiu cerca de 50%, em termos anuais, em Agosto e Setembro deste ano. Segundo o mesmo responsável, no período homólogo do ano passado, cada guia que trabalha com a língua chinesa conseguia atender mais de 20 excursões por mês, porém, recebe actualmente apenas 12 ou 13 por mês.
“Mesmo nas férias de Verão deste ano, o número de excursões foi pequeno em Macau, e a mesma situação continuou em Setembro e Outubro, o que reflecte a mudança da conjuntura do turismo. As agências de viagens que têm relativamente mais negócios são as que adoptam a estratégia de excursões de baixo custo com actividades de compras no itinerário, e algumas que realizam excursões na Ponte do Delta. Este tipo de grupos turísticos é bem recebido entre idosos do Interior da China. Quanto às excursões que só integram actividades de visita e cobram assim taxas relativamente altas, há cada vez menos em Macau”, concluiu.



