Os pedidos de funcionários públicos para receber subsídio de subsistência cresceram mais de cinco vezes no intervalo de um ano, ao passarem de 67 em 2016 para 352 no ano transacto. A procura de apoio para os serviços de teleassistência “Peng On Tung” também cresceu, indicam dados oficiais fornecidos à TRIBUNA DE MACAU

 

Liane Ferreira

 

O número de trabalhadores de nível inferior da Função Pública em dificuldades económicas cresceu em 2017, tendo em conta que os pedidos de subsídio de subsistência e para serviços de teleassistência “Peng On Tung” apresentam ambos acréscimos face ao ano anterior.

Segundo dados dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) fornecidos ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, entre Janeiro e Dezembro de 2017, foram registados 352 pedidos de subsídio de subsistência, mais 285 do que no mesmo período de 2016 (67 pedidos), o que traduz uma subida de 425%.

A tendência em alta, embora bem mais moderada, estendeu-se também aos pedidos de subsídio para os serviços de teleassistência “Peng On Tung” que passaram de 97 em 2016 para 106 no ano transacto, reflectindo um acréscimo de 9,2%. Para além disso, os pedidos de subsídio para reparação de veículos também cresceram, passando de 58 para 76.

O subsídio de subsistência é destinado aos funcionários cujo remanescente do rendimento mensal da família não é superior a 860 ou 1.270 patacas. Se o remanescente não for superior ao primeiro valor, o montante atribuído será equivalente ao índice 20 da tabela indiciária. Caso esteja em causa um rendimento até 1.270 patacas, o subsídio mensal será correspondente ao índice 15 da tabela.

Por sua vez, o apoio para os serviços de teleassistência serve para ajudar os aposentados idosos ou funcionários que, por exemplo, sofram de doenças crónicas. Este pacote de três medidas foi lançado em Novembro de 2013.

Os dados oficiais também dão conta de acréscimos nos pedidos para atribuição de subvenções adicionais, como o subsídio de despesas de infância, para estudos complementares dos filhos e de lar para idosos aos ascendentes. Tendo em conta que os requisitos de atribuição foram alargados em Outubro de 2017, passando do índice 200 da tabela indiciária para o índice 220, os SAFP salientaram que este foi o motivo para o aumento do número de beneficiários desses três tipos de subsídios.

Assim, ao longo de 2017, o organismo contabilizou 2.178 pedidos de subsídios complementares (1.442 trabalhadores), mais 165 do que no ano anterior (1.342 funcionários). Desses 2.178, 634 dizem respeito ao subsídio de despesas de infância (+100), 1.419 ao apoio para estudos complementares dos filhos (+51) e 125 ao subsídio de lar para idosos aos ascendentes (+14).

 

Procura de apoio psicológico regista ligeira queda

No cômputo geral do ano passado, 42 funcionários públicos pediram ajuda ao serviço de alívio psicológico, mais um do que em 2016, segundo dados dos SAFP facultados à TRIBUNA DE MACAU. Os principais motivos subjacentes às solicitações apresentadas no ano transacto são iguais aos de 2016, destacando-se problemas emocionais ligados à ansiedade e depressão (14 pedidos), representando um terço do total. Em segundo lugar, surgem questões no trabalho, relacionadas com a pressão, plano de carreira profissional e ainda situações envolvendo o relacionamento com colegas no ambiente laboral (12 casos). Para o terceiro lugar, passaram questões sentimentais, registando-se oito pedidos relacionados com problemas nos relacionamentos, como falta de diálogo, conflitos ou separação. Em 2017, verificaram-se ainda seis casos de trabalhadores que precisaram de apoio relativamente a relações familiares, não apenas com o cônjuge e filhos, mas também envolvendo irmãos, a sogra e a nora. Os dados oficiais incluem ainda um caso não identificado. Os SAFP voltaram a salientar que o número total de pedidos é “considerado baixo” comparativamente ao número actual de trabalhadores da Administração Pública da RAEM, “não existindo uma relação com o estado psicológico dos trabalhadores da função pública”.