As autoridades devem redobrar esforços no apoio aos pequenos e médios comerciantes do território, face ao impacto do consumo transfronteiriço na economia local, segundo Che Sai Wang. Além de implementar políticas de apoio, o Governo deve estudar os padrões de consumo transfronteiriço dos residentes, defendeu
Che Sai Wang instou o Governo a “conhecer o impacto real do consumo transfronteiriço no sector de venda a retalho de Macau” e a “apoiar os pequenos e médios retalhistas locais a melhorarem a sua competitividade”. O deputado sugeriu que as autoridades deveriam apoiar os pequenos comerciantes “no desenvolvimento de encomendas online, de distribuição comunitária”, e “de sistemas electrónicos de membros”, bem como auxiliá-los “na redução dos custos operacionais e na melhoria da eficiência dos serviços”.
Para Che, o Governo não pode olhar para o comércio além-fronteiras somente “como uma livre escolha do mercado de consumo”, uma vez que “o comércio a retalho não é apenas uma questão comercial”, dizendo respeito à economia comunitária, ao emprego dos residentes e ao abastecimento de bens de primeira necessidade, entre outros factores. Na sua intervenção antes da ordem do dia, Che advertiu que, caso o retalho local continue a sofrer, “no final os afectados não serão apenas os comerciantes, mas a conveniência e a estabilidade de todo o círculo de vida comunitária”.
Em particular, o deputado destacou a situação dos grupos mais vulneráveis. “Para os jovens e os trabalhadores, o consumo no Interior da China pode ser mais uma opção, mas para os idosos, as pessoas com mobilidade reduzida, as famílias de base ou os residentes que nem sempre têm facilidade em atravessar regularmente a fronteira, os supermercados comunitários e as lojas de bairro continuam a ser um complemento indispensável”, observou.
Mais do que implementar medidas pontuais ou temporárias, o deputado acredita que o Governo tem de estudar “a frequência de consumo dos residentes na China, os principais tipos de compras, as variações do fluxo de clientes nos supermercados de Macau e nas vendas a retalho relacionadas com a vida da população”, entre outros indicadores, o que permitiria ao Executivo implementar medidas “com maior precisão”.
Por sua vez, Ho Ion Sang também pediu “medidas mais direccionadas, por forma a reforçar a confiança no mercado de consumo, prolongar a estadia dos visitantes, promover o consumo comunitário e potenciar plenamente as vantagens dos recursos culturais únicos de Macau”. Em concreto, sugeriu o lançamento de “benefícios de consumo e de pernoita mais específicos”, em parceria com os sectores hoteleiros, da restauração e do retalho.
Ho também pediu a criação de benefícios exclusivos para visitantes internacionais, “como passes gratuitos e descontos nas compras” e para alargar a oferta de bilhetes gratuitos de transportes para visitantes internacionais nos aeroportos de Shenzhen, Cantão, Xangai e Pequim, à semelhança do que acontece com Hong Kong.
Na senda da recente inscrição dos 28 novos itens da Lista do Património Cultural Intangível, Ho Ion Sang recomendou a construção de “plataformas permanentes de contacto” para eventos que explorem os recursos culturais de Macau.
Por fim, Leong Sun Iok propôs que fossem optimizadas as políticas “em função das diferentes categorias e tipos de consumo”, com novas medidas de incentivo.
P.M.



