No ano lectivo que está prestes a terminar registou-se um queda no número de alunos do ensino técnico-profissional, levando a deputada Wong Kit Cheng a pedir ao Governo mais colaboração entre as instituições de ensino superior, empresas e essas escolas para dar mais oportunidades de estágio e educação a esses estudantes
Liane Ferreira
No período de antes da Ordem do Dia do Plenário da Assembleia Legislativa, Wong Kit Cheng focou-se no desenvolvimento do ensino técnico-profissional, alvo de uma consulta pública pelos Serviços de Educação e Juventude.
A deputada disse ter recebido opiniões da sociedade e associações educativas alegando que a legislação está desactualizada e há insuficiências no apoio concedido para a formação de quadros médios especializados, bem como a “ideia errada de que o ensino regular vale mais do que o técnico-profissional”. Por estes motivos, registou-se uma diminuição de 992 alunos em 2016/2017 para 702 este ano, “situação que não é benéfica para o desenvolvimento” deste tipo de ensino.
A deputada apresentou queixas de instituições sobre a dificuldade de contratar e reter professores altamente qualificados e experientes, porque além da carga lectiva normal têm de orientar estágios sem receber subsídio extraordinário.
Além disso, são necessários mais espaços, recursos e a actualização constante dos equipamentos. Porém, segundo o actual regime de apoio financeiro, “as escolas dificilmente conseguem adquirir ou actualizar periodicamente os equipamentos”.
Por outro lado, caso esses estudantes queiram aceder ao ensino superior, como as disciplinas de cultura geral têm menos peso devido ao estágio, ficam em desvantagem. “Tudo isto reduz gravemente o espaço de desenvolvimento normal das escolas técnico-profissionais e limita o aumento da qualidade do ensino”, alertou.
Assim, Wong Kit Cheng exorta o Governo a acelerar a revisão legislativa e a prestar o apoio devido para garantir que as escolas admitem um número suficiente de alunos. Para além disso, pediu mais recursos e apoios, através da alteração do regime de subsídios, o aumento ou atribuição de abonos acessórios aos professores ou a redução da carga horária, dando-lhes mais tempo para aumentar as competências profissionais e acompanhar os alunos nos estágios.
Além disso, pediu ao Executivo para reforçar o diálogo com os estabelecimentos de ensino superior e as empresas, para assegurar estágios adequados para os alunos. “Ademais, há que incentivar os estabelecimentos de ensino superior para que, para além da nota dos exames de ingresso, seja dada pontuação adicional para as técnicas especializadas”, referiu, notando que também podem ser atribuídas bolsas para estudos noutros locais.
Chui Sai Peng José e Ip Sio Kai também abordaram o mesmo tema, indicando que a diversificação económica e integração na Grande Baía exigem muitos talentos técnicos. A dupla pede a difusão da importância dos quadros manuais nos media e em sessões de partilha de conhecimentos nas empresas e instituições de ensino superior, reforçando a entrada de técnicos em diversos sectores de actividade.
Por outro lado, defendem que o Governo deve promover a aproximação dos salários dos quadros técnico-profissionais com os dos licenciados e indexar as remunerações às capacidades reais. Deste modo, seria criado um regime como o do pessoal administrativo da função pública e prémios para destacar as capacidades profissionais, tornando os salários mais atractivos.



