A Rua de Nossa Senhora do Amparo, paralela à Rua dos Ervanários deve ser abrangida pelo Plano de Protecção do Centro Histórico, entendem vogais do Conselho do Planeamento Urbanístico. O arquitecto Rui Leão defendeu que se os edifícios desta rua fossem demolidos perdia-se o “valor histórico do Porto Interior”. Já Ieong Tou Hong considera que não é suficiente estar na zona de tampão

 

O Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) debateu ontem o projecto de um edifício na Rua de Nossa Senhora do Amparo, paralela à Rua dos Ervanários, incluída no plano de protecção do Centro Histórico. No entanto, como a Rua de Nossa Senhora do Amparo se encontra apenas abrangida pela chamada “zona de tampão”, o Instituto Cultural (IC) não tem exigências particulares ao nível da preservação do edifício, indicando apenas que a fachada deve condizer com o ambiente ao seu redor.

A situação preocupa Rui Leão que não escondeu o seu descontentamento. “Se aquela zona tem valor histórico, tem a rua toda. Portanto, o limite da zona de protecção está mal feito. Ele devia ser corrigido e aumentado para integrar os dois lados da rua”, destacou em declarações à TRIBUNA DE MACAU à margem da reunião.

O arquitecto defendeu que toda a rua tem um valor histórico muito importante, pois, há 400 anos, estavam ali portos antigos, representando as zonas logísticas originais de Macau. “O valor não tem a ver com a harmonia, tem a ver com a autenticidade”, destacou, assegurando que assim “só vão matar o valor histórico do Porto Interior”.

Rui Leão lamentou ainda o facto de o IC manter a sua posição inicial, frisando que essa situação vai levar a que Macau perca as suas qualidades de Centro Mundial de Turismo e Lazer.

Ieong Tou Hong, vice-presidente da Associação Económica, considera também que esta rua deve passar a estar incluída no Plano de Protecção do Centro Histórico, uma vez que faz parte do berço da antiga cidade de Macau.

Por sua vez, o IC limitou-se a referir que as portas e janelas do edifício devem reflectir as características da rua. No entanto, Leong Chong In acredita que é preciso esclarecer a definição de “estilo da rua”. Lam Iek Chit frisou ainda que as portas e janelas dos edifícios desta rua têm uma aparência muito diferente pelo que deve ser o Governo a definir um padrão.

 

R.C.