Deputados da RAEM na ANP advertiram que a recente proibição da importação de lixo implementada no Continente poderá levar a que os resíduos locais tenham de ser todos incinerados. Tendo em conta esse cenário, pediram a Pequim para que Macau seja excluído da nova medida

 

Viviana Chan

 

Oito deputados de Macau na Assembleia Nacional Popular (ANP) alertaram para uma potencial crise de lixo no território, devido a uma nova lei ambiental da China, que impede a importação de lixo.

De acordo com o jornal “Ou Mun”, Chui Sai Peng, Ng Siu Lai, Sio Chi Wai, Lai Sai Kei, Kou Hoi In, Si La Lon, Lok Po e Iong Weng Ian mostraram-se preocupados com o impacto da lei que terminou com a era de importação de resíduos na China. A medida já está em vigor e, segundo aqueles representantes, além de ter afectado gravemente a indústria de reciclagem global, Macau também está a sofrer.

Nesse contexto, exortaram o Governo Central a excluir Macau da lei, considerando o território como um caso excepcional por não ter capacidade para tratar os resíduos sólidos, sendo por isso obrigado a incinerar os resíduos recicláveis.

O rol de argumentos inclui ainda o facto de, apesar da população de Macau ser menor comparativamente a outras cidades chinesas, o sector do turismo atrai mais de 30 milhões de visitantes por ano, fazendo com que sejam produzidos mais de 500.000 toneladas de resíduos sólidos anualmente. Portanto, frisam que a cooperação inter-regional é uma necessidade para esta indústria.

Além disso, sublinharam que o problema da falta de terrenos e os custos elevados com recursos humanos e equipamentos de reciclagem constituem um dilema ambiental para a RAEM. Estes factores tornam o sector da reciclagem insustentável, alertaram.

Como exemplo, referiram que no oitavo dia de vigência da nova política de importação de lixo, a Alfândega de Zhuhai detectou um barco de Macau que exportava ilegalmente lixo para a China.

Os deputados realçaram que se o Governo do Interior da China não encarar a realidade de Macau, provavelmente, a indústria de reciclagem local vai acabar, indo contra a ideia de diversificação económica.

À margem da reunião da ANP, os mesmos deputados reconheceram, por outro lado, que a nova lei vai ao encontro do desenvolvimento sustentável da China e salientaram que a construção da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau poderá ajudar a resolver o problema.