Prestar serviços médicos às pessoas carenciadas de Macau é o objectivo de um novo projecto abraçado por Paul Pun: uma clínica social. Para já, está à procura de um médico que sustente o funcionamento de um espaço que já existe
Viviana Chan
Paul Pun está a desenvolver uma campanha com vista ao estabelecimento de uma clínica social, procurando médicos experientes e solidários, dispostos a ajudar as famílias mais carenciadas e os trabalhadores não-residentes. O envolvimento de Paul Pun no funcionamento da clínica é a título pessoal e não em nome da Caritas, instituição onde exerce funções de secretário-geral.
Em declarações à TRIBUNA DE MACAU, Paul Pun explicou que sempre teve a intenção de criar uma clínica solidária, que praticasse preços acessíveis, pensada para pessoas que auferem baixas remunerações.
Para demonstrar a necessidade de uma estrutura deste género, o secretário-geral da Cáritas indicou que um médico do hospital público perguntou-lhe onde se dirigem os trabalhadores não-residentes para receber assistência médica, sobretudo as pessoas oriundas de países do sudeste asiático. Em resposta, Paul Pun indicou que, por norma, optam por não procurar um médico por razões financeiras, deixando os problemas de saúde agravar-se.
“Sei que os trabalhadores não-residentes não vão ao médico em Macau quando estão doentes porque uma consulta é demasiado cara para eles e isso pode levar a muitos problemas de saúde”, alertou.
Nesse sentido, o projecto da clínica social vai funcionar em regime sem fins lucrativos e o médico deve dominar a língua inglesa para melhor servir as pessoas que procuram esse tipo de consultas.
A concretização desta ideia registou novos avanços quando Paul Pun foi informado da existência de uma clínica na zona da Avenida de Almeida Ribeiro, cujo dono disse estar disponível para colaborar. Por já ter mais de 70 anos, não lhe é possível trabalhar a tempo inteiro, por isso, o secretário-geral da Cáritas iniciou uma campanha no Facebook para encontrar outros médicos com um carácter solidário.
Porém, admite, este é um desejo difícil de concretizar, uma vez que muitos clínicos com mais experiência auferem salários superiores a 40.000 patacas, um montante que a clínica não terá capacidade para suportar. Por outro lado, há muitos médicos do sector privado que não estão dispostos a desempenhar estas funções por aguardarem por um posto no sector público de saúde.



