Curso de iniciação em Patuá atraiu 16 alunos no ano passado
Curso de iniciação em Patuá atraiu 16 alunos no ano passado

A Universidade de São José vai receber após os feriados do Ano Novo Lunar um novo curso de Patuá, desta vez subordinado à criação de materiais didácticos. À TRIBUNA, Alan Baxter, director da Faculdade de Humanidades, explicou que o propósito é criar novos materiais didácticos tendo por base modelos de frase e diálogos que surgem nas obras de José dos Santos Ferreira e segmentos de peças de teatro dos anos 20 e 30

 

Inês Almeida

 

O Patuá estará de regresso à Universidade de São José (USJ) depois dos feriados do Ano Novo Chinês com o arranque de um curso intitulado “Estudo, Prática e Elaboração de Diálogos em Patuá”. A acção de formação terá como objectivo principal a criação de materiais didácticos.

Ainda não é possível saber quantas pessoas frequentarão o curso mas o director da Faculdade de Humanidades da USJ diz que têm de ser pelo menos 10 “e isso é fácil de conseguir porque algumas pessoas já me indicaram o interesse num segundo curso”.

Nestas aulas “irá ser desenvolvida uma sequência de diálogos escritos e também orais em Patuá para fins pedagógicos”. “Esses materiais serão elaborados tendo por base textos escritos tradicionais dos séculos XIX e XX, gravações áudio e segmentos de vídeo”, explicou Alan Baxter à TRIBUNA. “Claro que vou contar com a ajuda e colaboração de pessoas como o professor Mário Nunes da Universidade de Macau e espero ter ajuda de algumas pessoas da comunidade macaense”.

“A ideia seria criar material novo com base em modelos de frase e de diálogo que aparecem, por exemplo, na obra de José dos Santos Ferreira e também alguns segmentos de diálogos de peças de teatro do início das décadas de 20 e 30”, frisou Alan Baxter.

Recorde-se que José dos Santos Ferreira, poeta de Macau mais conhecido por Adé, ficou conhecido como grande defensor do Patuá.

Além disso, “temos vídeos de peças de teatro mas também temos materiais como entrevistas feitas, algumas pela professora Graciete Batalha, que me forneceu uma amostra de materiais o que é muito bom porque são de falantes fluentes do início da década de 70”, acrescentou.

Referindo que no primeiro curso a turma trabalhou muito com desenhos animados, o professor diz querer agora “avançar mais”. “Quero criar diálogos que possam ser usados para finalidades didácticas”, revelou.

O curso terá a duração de 20 horas lectivas, divididas por 10 sessões, e decorrerá no antigo campus da USJ.

Incerta ainda é a realização de uma segunda edição do curso de iniciação ao Patuá que chegou ao fim em Abril do ano passado. A primeira turma atraiu 16 alunos.

“É mais introdutório, para despertar o interesse e fornecer algumas bases para quem quiser aprender mais, saber mais sobre a natureza do Patuá, a gramática, o vocabulário, as origens, as palavras”, explicou.