O Governo de Macau preparou várias medidas face à guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, asseverou Chui Sai On, ao indicar que o território dará “passos estáveis” e seguir uma estratégia de “investimento defensivo”

 

Catarina Almeida

 

A RAEM está preparada para suster o impacto da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos com a adopção de várias medidas preventivas e o reforço da cooperação com o Interior da China. Esta foi pelo menos a mensagem transmitida por Chui Sai On para tranquilizar os deputados que aproveitaram a presença do líder do Governo na Assembleia Legislativa para tentar perceber as respostas delineadas face à instabilidade das relações comerciais entre Pequim e Washington.

“O Governo tem vindo a observar o princípio de manutenção das despesas dentro do nível das receitas e aplicado sempre os fundos de acordo com as necessidades. Vamos marchar em passos estáveis e ter em conta o conflito comercial entre a China e os Estados Unidos e as flutuações do sector financeiro mundial. De facto, as incertezas podem trazer desafios”, reconheceu.

Ainda assim, segundo Chui Sai On, o território está precavido para eventuais efeitos negativos da guerra comercial tendo gizado, desde Maio, um rol de “medidas preventivas para ajustar o peso das acções na nossa carteira de investimentos”. “Tomámos medidas para fazer face às oscilações e flutuações cambiais. Nos primeiros trimestres deste ano registámos retorno positivo e esperamos que essa seja a tendência durante o ano”, disse.

Além disso, o Governo vai “aperfeiçoar a estrutura de reserva financeira e tomar medidas em função da situação actual”. “Vamos acompanhar de perto procurando o crescimento de uma conjuntura estável e também teremos muitos investimentos a nível regional para assegurar as aplicações financeiras dos nossos saldos, sobretudo no espaço da Grande Baía”. A ideia passa sobretudo por adoptar uma “estratégia de investimento defensiva e assegurar o retorno estável, mas também vemos que há um registo de crescimento positivo”, vincou o líder do Executivo.

Na apresentação das LAG para 2019, o líder do Governo assegurou que será adoptada uma “atitude prudente e optimista, reforçando o sentido de vigilância e de avaliação oportuna da conjuntura” face às “complexas” vicissitudes internas e externas.

Em resposta ao deputado Chan Chak Mo, Chui Sai On frisou que as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) fazem parte do acompanhamento que a Administração tem vindo a fazer sobre esta matéria. Portanto, serão desenvolvidos “trabalhos a vários níveis” para potenciar o investimento e desenvolvimento económico que passa por “consolidar” o mercado de visitantes – maioritariamente oriundo da China Continental – e o sector das convenções e exposições.

“A mega ponte é uma grande vantagem para o sector de convenções e exposições e vamos ter um bom desenvolvimento. Também recebemos opiniões da respectiva associação para criar mais recintos disponíveis e abertos, por forma a aumentar a sua competitividade. Neste âmbito, vamos aproveitar o Aeroporto Internacional para facilitar as actividades”, explicou.

Neste contexto, garantiu que a RAEM está “preparada para alargar mercado através de maior cooperação com o Interior da China e da mega-ponte”. “A longo prazo queremos também alargar o nosso mercado internacional”, concluiu o Chefe do Executivo.