“Um Italiano em Macau: Oseo Acconci e a sua Arquitectura nas décadas de 1950 e 1960” é o título da próxima palestra organizada pela Docomomo Macau, inserida no ciclo “Construir o Século XX”. Conduzida por Jane Lei, a sessão pretende “ressuscitar” o legado de Oseo Acconci enquanto escultor, pintor, arquitecto e empreiteiro
As “multifacetadas contribuições artísticas” de Oseo Acconci, artista italiano que chegou a Macau no início do século XX e deixou uma “indelével marca na paisagem artística e arquitectónica da cidade”, vão ser o tema da próxima palestra organizada pelo Centro de Investigação Docomomo Macau. Agendada para as 18h30 do dia 6 de Dezembro, na Fundação Rui Cunha, a sessão, intitulada “Construir o Século XX – Um Italiano em Macau: Oseo Acconci e a sua Arquitectura nas décadas de 1950 e 1960”, será apresentada por Jane Lei.
“Centrando-se nos períodos mais dinâmicos das décadas de 1950 e 1960, que provaram ser o apogeu da carreira de Acconci, a discussão navega pelos seus papéis como escultor, pintor, arquitecto e empreiteiro, enfatizando a raridade de tal diversidade na história da arte de Macau”, indica a organização. Doutorada em Belas Artes pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, Jane Lei conduziu um projecto de investigação “inovador” sobre a esquecida história da arte de Macau entre as décadas de 1950 e 1980, centrado em Oseo Acconci e na sua época. O trabalho foca-se em “questões cruciais”, como mudanças urbanas de Macau, a sua história e as comunidades marginalizadas.
O legado de Oseo Acconci “manifesta-se num espectro de obras abrangendo esculturas, murais e projectos arquitectónicos, proporcionando um ponto de referência e contexto distintos nos anais da história da arte de Macau”. Segundo a nota da organização, as suas criações durante a era de desenvolvimento urbano do pós-guerra “incorporam o espírito de artesanato e inovação, deixando um impacto duradouro na paisagem urbana em evolução”.
“Apesar do seu papel fundamental em projectos de obras públicas, incluindo estruturas icónicas como a Fonte da Praça do Leal Senado, blocos para funcionários públicos e da polícia, juntamente com muitos outros edifícios governamentais, Acconci permanece comparativamente obscurecido nas sombras dos seus contemporâneos”, pode ler-se. Assim, a apresentação procura “ressuscitar o seu legado, lançando luz sobre a proeza arquitectónica incorporada nas suas criações e as suas qualidades modernistas, bem como o significado cultural das suas obras”.
Oseo Acconci deixou a sua marca em vários projectos no território como a Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Ká Hó, a Escola Comercial, as moradias da Avenida Coronel Mesquita ou o icónico painel da fachada do antigo hotel Estoril, entre outros.
A palestra ressalta os desafios de documentar as contribuições de Acconci devido à falta de registos abrangentes e à natureza controversa ou destruída de algumas das suas obras nos últimos anos. Ao abordar estas lacunas na narrativa histórica, a apresentação de Jane Lei pretende oferecer uma compreensão matizada da influência de Oseo Acconci no património artístico e arquitectónico de Macau, “enriquecendo o discurso sobre a evolução cultural da cidade”.
Jane Lei foi também membro fundador da Comuna de Pedra e do “Art Space of Old Ladies House”, mais tarde conhecido como Armazém do Boi. Desde então, tem exercido diversas funções, desde curadora e artista até administradora de uma livraria independente, sendo actualmente artista freelance. Fundou recentemente a “Lighthouse Publishing”, com foco na publicação e distribuição de livros de humanidades e artes.



