Antes de partir para Portugal, o padre João Eleutério teceu críticas à Diocese de Macau e considerou que o facto de não falar Chinês foi muitas vezes desculpa para ser “ignorado”
O padre e teólogo João Eleutério, que esteve 10 anos ao serviço da Diocese de Macau, regressou no sábado a Portugal, onde voltará a assumir a posição de académico na Universidade Católica. Antes de partir, em declarações ao Canal Macau da TDM, João Eleutério disse levar algumas mágoas e um sentimento de desilusão relativamente à Diocese.
“Foi pena a igreja local verdadeiramente não perceber quem é que eu sou. Eu sou um teólogo, mas a desculpa de que não falo Chinês serviu muitas vezes para que eu fosse ignorado”, afirmou, lembrando que “poderia ter oferecido a minha colaboração mais efectiva em Portugal, onde se calhar não seria tão ignorado e tão tornado irrelevante”.
João Eleutério contou que a sua missão – a pedido do cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e do então director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, actual reitor da Universidade de São José, Peter Stillwell – no território era “orientar, construir e edificar os estudos de Teologia” porque “a Igreja local estava a precisar”.
Sobre o dia em que chegou, não esquece o episódio a que assistiu e que foi “uma espécie de bofetada”. “Entrei pela porta do seminário e, ao mesmo tempo, estava uma carrinha ou um carro do seminário a sair com os dois seminaristas que tinham entrado naquele ano da Diocese de Macau para o seminário a irem para Hong Kong”, onde iriam continuar os estudos, sem que tivesse sido informado.
O padre fez ainda questão de frisar que, em 2012, o ano proposto pelo Papa Bento XVI para que fosse o ano da fé, “a Comissão que foi criada pela Diocese de Macau pura e simplesmente ignorou não apenas a mim, mas ignorou todos os teólogos existentes nesta faculdade”. Segundo salientou, a única pessoa chamada para integrar essa Comissão foi alguém que não tinha doutoramento.
C.P.



