Em 2018, foram apresentadas ao Conselho de Consumidores mais de 2.200 queixas, a maioria relacionada com o preço e a qualidade de artigos de ouro e jóias

 

Catarina Almeida

 

No ano passado, o Conselho de Consumidores (CC) recebeu 2.290 queixas e 2.753 pedidos de informação relacionados com consumo. No balanço de 2018, o CC indica que 1.299 casos de atendimento envolveram turistas.

A ourivesaria e bijutaria motivaram o maior número de queixas (201), seguindo-se os transportes públicos (166), comida e bebidas (163), serviços e produtos de higiene pessoal (148) e restauração (144).

“O preço e a qualidade dos artigos de ouro e jóias de diamante motivaram a maioria das queixas relacionadas com as ourivesarias e bijutarias em 2018. Alguns conflitos de consumo surgiram quando os turistas fizeram compras num estabelecimento comercial aonde foram levados durante a excursão”, explicou o organismo.

O CC garante ter emitido por várias vezes dicas de consumo aos turistas em parceria com a Associação de Consumidores da China e organizações de defesa do consumidor do Interior da China a nível provincial e municipal, nomeadamente alertando sobre os pontos que “merecem maior atenção na aquisição de artigos de ouro e em liga de ouro em Macau”. Além disso, o Conselho reuniu-se com “vários serviços públicos com vista a reforçar a troca de informações na área de defesa do consumidor, bem como instou o sector em causa, sobretudo os estabelecimentos comerciais que alguma vez se envolveram em litígios com os consumidores, a indicar claramente o grau de pureza e o valor real das jóias postas para venda, de maneira a salvaguardar a imagem de Macau”.

Por outro lado, 75% das queixas na área dos transportes envolveram os serviços de táxi devido às cobranças abusivas e a má atitude de atendimento. Estes números reflectem um aumento superior a 40% face a 2017, referiu o CC, assegurando de que “todos os casos já foram tratados e encaminhados às autoridades competentes”.

Ademais, as queixas envolvendo comida e bebidas subiram 60%. A maioria diz respeito à qualidade e preço, sendo que nalguns casos as aquisições foram feitas online.

Quanto aos serviços de restauração, as reclamações aumentaram 70%. Mais de 10 casos envolveram serviços prestados por plataformas online de entrega de comida. Ainda neste campo, registaram-se mais de 20 casos relacionados com pagamento electrónico. “Tendo em conta a evolução dos modelos de consumo, o CC irá recorrer a meios diferentes para lembrar aos estabelecimentos comerciais que devem definir políticas de transacção adequadas e claras por forma a reduzir litígios, bem como irá reforçar a emissão de dicas de consumo em resposta às necessidades dos consumidores, no sentido de sensibilizar e aumentar a sua capacidade de auto-protecção na área de consumo”, vincou.

Os consumidores mostraram-se também menos satisfeitos com os serviços na área de produtos e serviços de higiene pessoal já que as queixas sofreram um acréscimo de 57%. “Muito mais consumidores queixaram-se de que as formas de promoção por parte dos centros de beleza, como as chamadas promocionais, foram demasiadamente agressivas e irritantes”.

Em contrapartida, no ano em análise, registaram-se apenas seis queixas associadas ao preço dos equipamentos de telecomunicações, reflectindo uma descida constante nesta área.