Ao cair da tarde de ontem, Carlos Marreiros protagonizou uma sessão na Fundação Rui Cunha onde se recordaram tempos antigos, vivências na Escola Comercial Pedro Nolasco e no Liceu de Macau. Na ocasião, o arquitecto, falando da Escola, enalteceu sobretudo o trabalho de Chorão Ramalho
Inês Almeida
Carlos Marreiros foi ontem o protagonista de um dos “Serões com História”, na Fundação Rui Cunha. Durante a sessão discorreu sobre a realidade de Macau nos meados da década de 70 e a arquitectura da altura, não esquecendo a Escola Comercial Pedro Nolasco, foco da sessão de ontem.
“Orgulhem-se da Escola Comercial porque é um belo edifício em toda a Ásia. Uma vez foi organizada uma conferência de arquitectura e houve quem dissesse que não havia igual em toda a Ásia”, indicou Carlos Marreiros.
Promovida pelo Centro de Reflexão, Estudo e Difusão do Direito de Macau (CRED-DM) e Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco, a sessão de ontem foi uma espécie de viagem no tempo, levando os presentes até à Macau da década de 70. “A economia começa a crescer de uma forma diminuta nos anos 70. Macau começa a mudar. Já não era a terrinha onde secava o peixe salgado. Ficávamos muito zangados com os livros que diziam que Macau vivia da indústria dos panchões e da salga do peixe”, recordou Carlos Marreiros.
A história do território pode também ser contada, em parte, pelos edifícios que o constituem. “Se repararem, do quartel-geral até à meia laranja, os edifícios habitados por macaenses e portugueses eram pintados de cor-de-rosa. Os que eram de chineses ou de macaenses enraizados eram pintados de verde. O próprio Hotel Bela Vista chegou a ser verde”, contou o arquitecto.
Carlos Marreiros não frequentou a Escola Comercial mas antes o Liceu de Macau e isso explica o título da sessão de ontem: “Memórias de um aluno junto ao mar, através de uma janela voltada para um jardim”. “O jardim o que era? Era a Escola Comercial, porque tinha muitas plantas, camélias, rosas-da-china, hibiscos”.
Ao longo de mais de uma hora e meia, o arquitecto recordou memórias de ocasiões que o uniram a alunos da então Escola Comercial, inclusivamente um baile de máscaras.



