Nos últimos seis anos, as seis operadoras de jogo doaram cerca de 1,56 mil milhões de dólares de Hong Kong para fins de caridade, o equivalente a 0,08% das suas receitas brutas, concluiu um estudo da Universidade de Ciência e Tecnologia. Para os autores, há margem para aumentar a dimensão e eficiência desses donativos

 

Rima Cui

 

Um estudo desenvolvido pelo Instituto de Investigação Social e Cultural da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau indica que, entre 2011 e 2017, os donativos para a caridade concedidos pelas seis operadoras de jogo atingiram um total de 1,557 mil milhões de dólares de Hong Kong, representando 0,085% das suas receitas brutas.

Em geral, registou-se um crescimento anual médio negativo de 6,48% nessas doações, o que, para Lin Guang Zhi, director do Instituto, mostra que ainda há margem para as operadoras de jogo aumentarem os apoios destinados a fins beneficentes.

A Wynn Macau, a Galaxy Entertainment e a Sands China ocupam os primeiros três lugares no ranking das doações para caridade, com 745,8 milhões, 430,058 milhões e 117,405 milhões de dólares de Hong Kong, respectivamente. Segundo o estudo, desde 2014, os valores doados pelas seis empresas seguiram a tendência de flutuação das receitas do jogo.

As operadoras apoiaram principalmente entidades de caridade tradicionais, como a Associação Beneficência Tung Sin Tong, a Santa Casa da Misericórdia e o Fundo de Beneficência dos Leitores do Jornal Ou Mun, contudo, doaram relativamente poucas vezes à China Continental.

O director do Instituto alertou para a falta de normas fixas sobre as doações das operadoras de casinos, facto que ajuda a explicar as oscilações dos últimos anos. “As percentagens que os montantes de doação representam nas receitas brutas do sector flutuaram muito e a dimensão e a eficiência das doações também podem ser aumentadas”, sublinhou.

Lin Guang Zhi sugeriu que as futuras doações possam ser feitas de forma mais direccionada e contínua, por exemplo para a educação, e com planos mais claros. Neste ponto, destacou também a importância das operadoras serem mais transparentes nos dados informativos e comportamentos.

“As operadoras de jogo devem criar departamentos profissionais destinados à caridade, grupos profissionais e mecanismos a longo prazo. Além disso, precisam de melhorar os modelos, a direcção e a estrutura das doações, sobretudo incluindo a responsabilidade social de doações para caridade nas suas estratégias de desenvolvimento”, concluiu o mesmo responsável.

Segundo Lin Guang Zhi, a partir deste ano, a análise do Instituto sobre esta matéria pode abranger ainda os “casinos satélite”.