De um total de 12 médicos portugueses que se candidataram a trabalhar em Macau, oito reúnem os requisitos, segundo revelou o director dos Serviços de Saúde. No entanto, a sua vinda para o território está dependente da apresentação de mais documentos e também da sua vontade, ressalvou. Alvis Lo falava aos jornalistas à margem da inauguração do Edifício de Especialidade de Saúde Pública, que dispõe de 160 camas de isolamento
Catarina Pereira
Macau poderá contar com mais oito médicos portugueses nos próximos tempos, indicou o director dos Serviços de Saúde (SSM), Alvis Lo, em declarações aos jornalistas à margem da inauguração do Edifício de Especialidade de Saúde Pública dos Serviços de Saúde. Explicando que durante a visita a Portugal, em Maio deste ano, houve comunicação com a Ordem dos Médicos para perceber se havia profissionais que pudessem prestar serviço no território, Alvis Lo referiu que foram submetidas meia dúzia de candidaturas.
“Durante este processo, recebemos 12 candidaturas, oito delas, após fase preliminar do processo de selecção, têm condições para vir para Macau trabalhar, mas também é preciso completar com outros documentos […] e depende da sua vontade, cada pessoa tem diferentes situações”, afirmou, citado pelo Canal Macau. “Mas até agora, com os oito casos que reúnem os requisitos, temos tido contacto um a um. Para fazer o acompanhamento do recrutamento depende da sua situação”, acrescentou Alvis Lo.
Durante a visita a Portugal, recorde-se, a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, encontrou-se com o Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, para discutir a cooperação na área da saúde. Uma das questões abordadas envolveu o cálculo dos anos de serviço dos médicos portugueses que vêm trabalhar para o território.
Elsie Ao Ieong U disse esperar que o Ministério da Saúde de Portugal “possa ajudar a resolver a questão da antiguidade do serviço e do cálculo da pensão da aposentação em Portugal dos médicos portugueses, depois de virem trabalhar em Macau, a fim de que estes possam trabalhar no território com tranquilidade”.
Por outro lado, questionado sobre o número de psiquiatras e psicólogos existentes, Alvis Lo remeteu uma resposta para mais tarde. De acordo com dados dos SSM analisados pela TRIBUNA DE MACAU, o número de psicólogos no território registou uma pequena subida em 2022: eram 86, contra 84 em 2021. Mas nem metade trabalhavam no público. Apenas 31 psicólogos estavam nos SSM (25) e noutros serviços públicos (6). Grande parte dos psicólogos trabalhava em consultórios privados (43), seguindo-se outras instituições médicas (7) e hospitais privados (5).
“Quanto à saúde mental, estamos sempre a prestar atenção e apoio aos residentes de Macau. Temos também um apoio em quatro níveis para assim garantir o serviço prestado aos residentes de Macau. Psiquiatras e psicólogos também temos em número suficiente, mas a maioria das pessoas é que não tem conhecimento de que precisa de receber ajuda”, observou Alvis Lo.
O director dos SSM sublinhou ainda que “é necessário dar mais carinho aos nossos familiares e amigos”, frisando que para poderem resolver os problemas de saúde mental é preciso que recorram a tratamento e diagnóstico profissionais. “Por causa da cultura, muitas pessoas acham que se têm problemas mentais não gostariam de partilhar e falar com os outros, tem a ver com a confidencialidade. Mas na realidade se precisarem de ajuda, do ponto de vista médico, é melhor recorrer ao médico com maior brevidade”, vincou.
Edifício de Saúde Pública com 160 camas de isolamento
A inauguração do Edifício de Especialidade de Saúde Pública, no sudoeste do Centro Hospitalar Conde de São Januário, contou também com a presença do Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, e da Secretária Elsie Ao Ieong U. Com uma área bruta de construção de quase 31 mil metros quadrados, o Edifício conta com oito andares e dispõe de 80 enfermarias de isolamento “de alta qualidade”, 160 camas de isolamento, das quais 10 para cuidados intensivos, “onde os utentes podem receber tratamentos de oxigenação por membrana extracorpórea (artificial pulmonar), ventilador, hemodiálise, entre outros, o que aumenta significativamente a capacidade de tratamento médico de casos graves”.
Está ainda equipado com sala de reanimação, bloco operatório de pressão negativa, sala de exame imagiológico com tomografia axial computorizada e laboratório clínico capaz de tratar amostras infecciosas, “o que pode fornecer exame e tratamento médico abrangentes”. Concebido de acordo com as normas de prevenção e controlo de doenças transmissíveis da Organização Mundial de Saúde, o Edifício dispõe ainda de sistema de filtragem de ar de alta eficiência, sistema de desinfecção por raios ultravioletas, controlo de pressão negativa e de fluxo de ar nas enfermarias, instalação de dois canais nas três zonas, bem como sistema inteligente de vigilância central e de rastreamento de doentes, “no sentido de atingir um alto padrão de prevenção e controlo de doenças transmissíveis”.
Além disso, é composto por duas passagens superiores que ligam o átrio do hospital e o Alojamento dos Trabalhadores de Emergência de Saúde Pública, “proporcionando aos doentes um melhor apoio médico e uma boa gestão do pessoal em circuito fechado durante a epidemia”. Já em períodos não epidémicos, “os recursos médicos serão melhor aproveitados, incluindo o uso de instalações de isolamento como enfermarias normais e o aproveitamento do espaço do átrio para a colheita de sangue”.



