Gravemente afectado pelo “Hato”, o Terminal de Autocarros das Portas do Cerco está a ser alvo de obras, já previstas anteriormente, no entanto, Raimundo do Rosário avisa que, apesar de “ficar mais bonito”, não irá aumentar de área, pelo que as melhorias poderão não ser profundas. No entanto, prometeu encurtar o prazo de execução da empreitada. Em geral, os problemas com transportes voltaram a afligir os deputados
Liane Ferreira
No arranque da sessão das Linhas de Acção Governativa (LAG) destinadas aos Transportes e Obras Públicas, o Secretário destacou a intenção de acelerar a remodelação do Terminal de Autocarros das Portas do Cerco.
“O terminal é tema que desperta a atenção da população. Queria dizer que, antes do tufão, tínhamos definido planos para melhorar o sistema de ventilação e ar condicionado e estamos a prosseguir com três obras de pequena e grande dimensão de cerca de 120 milhões de patacas”, declarou Raimundo do Rosário.
O Chefe do Executivo já deu autorização e em breve decorrerá o concurso público para adjudicação, cujas condições incluem a execução das obras durante sete dias por semana entre as 8h e as 22h. “Depois do concurso espero que o prazo de execução da obra seja encurtado e tendo em conta o ruído, obtemos autorização do Chefe e o prazo deverá ser encurtado”, referiu o Governante.
“A área não foi alterada, mas as necessidades são maiores, temos 24 carreiras que passam no terminal. Depois das obras, o terminal vai ser mais bonito, mas a área é igual. Se calhar, as obras não vão resultar num melhoramento profundo”, confessou Raimundo do Rosário, mostrando-se disponível para esclarecer os deputados na Comissão de Acompanhamento.
Em resposta a queixas dos deputados quanto à demora, o Secretário salientou que “existem problemas nos procedimentos” e advertiu que “não são obras simples”, sendo necessário “ouvir os pareceres de todos os serviços”.
Au Kam San criticou e o companheiro Ng Kuok Cheong apontou que a população espera não só uma melhoria no terminal, mas em todo o ambiente na zona. “Há necessidade de aproveitar as outras áreas nos arredores para atingir este objectivo de melhor o ambiente circundante e a situação de trânsito”, defendeu o deputado.
Também Chan Hong falou do tópico, exortando o Governo a acelerar as obras da própria paragem provisória na Rua dos Currais para ajudar a melhorar a situação na zona das Portas do Cerco, enquanto o terminal não estiver concluído.
No seguimento, o coordenador do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes explicou terem sido encurtados os prazos para os serviços emitirem opiniões e apressado o concurso público em dois a três meses.
Sobre as 24 carreiras que passam no terminal, Lam Hin San, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), disse que vão ser mantidas carreiras para “facilitar a vida da população”.
Silêncio sobre as renovações dos contratos de autocarros
Ainda sobre o serviço de autocarros públicos, Raimundo do Rosário indicou que o calendário de 2018 incluiu a renovação dos contratos “tendo sempre em vista a melhoria da qualidade dos serviços prestados”. Porém, apesar de ter sido questionado por Wong Kit Cheng sobre as novas cláusulas contratuais, respondeu apenas que se encontra “quase na fase de negociação” e não deve avançar com as “ideias” do Executivo.
Parte da renovação envolve o aumento do bilhetes, matéria a que se opôs a maioria dos deputados, especialmente no que diz respeito aos idosos e estudantes.
“Shuttle-bus” fazem 8.500 viagens por dia
Em termos de trânsito rodoviário, Raimundo do Rosário defendeu que “os casinos podem usar autocarros amigos do ambiente, que até podiam ser brancos”.
Angela Leong aparentou não ter gostado do comentário, pois “autocarros brancos podiam ser confundidos com ambulâncias” e nenhuma das concessionárias colaborará com o plano.
No entanto, Lam Hin San recordou que as seis operadoras já aceitaram trocar até 15% da frota de autocarros por veículos eléctricos até Maio de 2018. Os dados indicam que os “shuttle-bus” dos casinos fazem 8.500 viagens por dia, menos 20% do que em Novembro de 2016.
Mais 200 licenças de táxis a concurso em 2018
As Linhas de Acção Governativa dos Transportes e Obras Públicas para 2018 prevêem a “realização de concurso público para 100 táxis especiais e 100 normais e que o Regulamento do Transporte de Passageiros em Táxis entre em processo legislativo”. Raimundo do Rosário salientou ontem que no total existem 1.600 licenças, número que subirá para 1.800 com as novas adições do próximo ano. “Durante o “Hato”, nove táxis foram inundados e recebemos 3.000 chamadas. A procura é elevada e por isso decidimos lançar mais licenças’, afirmou o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. Este ano, foram colocados ao serviço 300 novos táxis, incluindo rádio-táxis, indicou o Secretário da tutela.
EM SÍNTESE
Hospital das Ilhas sem planos de concepção
Raimundo do Rosário queixou-se na AL de não poder avançar com o concurso público para Hospital das Ilhas porque não tem os planos de concepção. “A super estrutura está feita, mas para o hospital e os edifícios complementares ainda não temos os planos de concepção. Se não temos os planos, como vamos abrir o concurso público? É por isso que não posso dizer quando e quanto custa, se nem tenho o plano de concepção! Por exemplo, em relação ao edifício das doenças infecto-contagiosas estamos agora a demolir o edifício – em Janeiro finalizamos a demolição – mas, actualmente, não temos um plano de concepção para abrir o concurso”, afirmou.
Sin Fong à espera das autoridades judiciais
O director dos Serviços de Obras Públicas e Transportes afirmou existirem condições para autorizar a demolição e reconstrução do Sin Fong Garden, no entanto é necessário esperar pelas autoridades judiciais. Estas ainda não concluíram a recolha de provas, pelo que só depois o Governo poderá avançar.
Ajustes directos com dados online
Em prol de uma maior transparência governativa, a tutela de Raimundo do Rosário vai passar a disponibilizar na internet os dados relativos aos ajustes directos. Tal vai acontecer em 2018, acrescentando mais informações nas páginas electrónicas onde já surgem as adjudicações de obras públicas avaliadas em mais de 10 milhões de patacas e de serviços com valor superior a um milhão.
Metro Ligeiro com prejuízo “certo”
“Nenhuma empresa privada vai meter dinheiro nesta empresa porque é prejuízo certo. Só temos estações de Metro. Não podemos conseguir outros rendimentos e por isso tenho a certeza que esta empresa é de capitais públicos”, disse categoricamente o Secretário, após frisar que a empresa do Metro Ligeiro será criada no próximo ano. O sistema é visto como “eficiente, fiável e ambientalmente sustentável” e por isso deve assumir um “papel estratégico nas soluções de mobilidade”.
Multas de 100 milhões para construtores
Admitindo problemas na qualidade da construção do Centro de Saúde da Praia do Manduco, o director das Obras Públicas revelou que só nessa obra foram emitidas multas equivalentes a 50% do valor do projecto, num total superior a 10 milhões de patacas. “Temos mecanismos de fiscalização das obras, já emitimos mais de 10 multas de mais de 100 milhões. Pode demorar, mas emitimos as multas e fazemos o nosso trabalho”, declarou.



