Vários analistas acreditam que a saída de Steve Wynn da empresa que criou terá pouco impacto nas operações. A JP Morgan considera mesmo que esta decisão “elimina potenciais riscos relacionados com a licença de jogo em Macau”, enquanto a Sanford C. Bernstein defendeu que Matthew Maddox, sucessor de Steve Wynn no cargo de CEO, “tem um bom conhecimento das operações em Macau”. Ainda assim, a Morgan Stanley antevê algum impacto apenas “a curto prazo” no desempenho local do grupo
Inês Almeida
A demissão de Steve Wynn dos cargos que ocupava na Wynn Resorts e na Wynn Macau deve ter pouco impacto negativo nas operações da empresa no território e até na possibilidade de ser renovada a concessão da licença de jogo em 2022, entendem vários analistas.
A JP Morgan sugeriu que a demissão do magnata do jogo terá implicações “surpreendentemente limitadas” nas operações na RAEM. “Isto elimina potenciais riscos relacionados com a licença de jogo em Macau, visto que o teste de ‘adequação’ aplica-se apenas a directores ou accionistas com 5% ou mais”, referiu o banco de investimento citado pelo portal GGRAsia.
Por sua vez, a Sanford C. Bernstein apontou num relatório que o sucessor de Steve Wynn, Matthew Maddox, “tem um bom conhecimento das operações de Macau e frequentemente visita” o território. “Além disso, ele tem sido um dos executivos mais próximos de Steve Wynn e irá, provavelmente, tentar manter a sua visão e atenção à hotelaria e à experiência dos clientes”.
Porém, no relatório a que a TRIBUNA DE MACAU teve acesso, a consultora reconhece que “não será fácil estar à altura de Steve Wynn”. “Mesmo com Maddox no leme, a Wynn deverá ter operações ligeiramente diferentes, mas só o tempo o dirá”.
Tanto o Credit Suisse AG como a Morgan Stanley partilham opiniões semelhantes às da JP Morgan em relação à licença de jogo em Macau. O Credit Suisse sugere que a demissão apenas terá “impacto a curto prazo” nas operações na RAEM. No entanto, ressalva, a saída de Steve Wynn pode gerar incertezas envolvendo a estabilidade da gestão, a força da relação da Wynn Macau com os Governos da RAEM e da China e a direcção estratégica da empresa, bem como o desenvolvimento da segunda fase do Wynn Palace.
Já o Deutsche Bank considera que “embora não totalmente surpreendente, a notícia trouxe algum choque”. Daqui para a frente há problemas para resolver, mas os analistas consideram que “as questões suscitadas pelas recentes revelações podem ser largamente minoradas pela decisão de Steve Wynn de abandonar os cargos que ocupava”. “Esperamos que a companhia continue com o seu rumo de desenvolvimento e que tenha um ‘Dia dos Investidores’ na Primavera”.
Em jeito de balanço, num relatório intitulado o “Fim de uma era”, o Deutsche Bank refere que “embora os talentos de Steve Wynn vão fazer falta”, há interesse em ver como “os planos mudam a partir de agora”. “As nossas conversas com os directores indicaram que não há mudanças no plano actual, porém, ainda é cedo”, indica o relatório. A consultora mostra-se confiante na capacidade de Matthew Maddox para desempenhar as funções de CEO dada a sua experiência, tanto em Macau como Las Vegas.
Acções suspensas
A Wynn Resorts anunciou ontem que aceitou a demissão de Steve Wynn como CEO do grupo, motivada pelas acusações de alegado abuso sexual. O anúncio levou ontem a uma interrupção na comercialização das acções da empresa na Bolsa de Hong Kong, devendo ser retomada hoje.
O magnata do jogo pronunciou-se sobre o seu afastamento justificando a decisão com a “avalanche de publicidade negativa” que criou um ambiente “em que os julgamentos apressados precedem tudo o resto, incluindo os factos”. Assim, “cheguei à conclusão de que não consigo continuar a ser eficiente nas minhas funções”.
Numa nota da empresa, Boone Wayson, director não executivo da Wynn Resorts, indicou que foi “com uma dor colectiva que a administração aceitou a demissão do fundador, CEO e amigo, Steve Wynn”. “Steve Wynn é um gigante da indústria. Ele é um filantropo e um líder adorado e visionário. Teve um papel crucial na transformação de Las Vegas no destino de entretenimento que é hoje. Também compôs uma equipa de executivos de classe mundial que vai continuar a corresponder aos altos padrões de excelência que Steve Wynn criou e que a marca tem vindo a representar”, concluiu.
DICJ vai monitorizar Wynn Macau
A Wynn Macau comunicou ontem à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) a demissão de Steve Wynn. A administradora-delegada da operadora, Linda Chen, reuniu-se com a DICJ e o Secretário para a Economia e Finanças que lhe solicitaram “a apresentação de esclarecimentos detalhados” sobre os casos de abuso sexual e o “cumprimento do dever de comunicação à DICJ, no prazo dado, relativamente a dados e informações sobre a situação, incluindo os resultados das investigações em curso e o desenvolvimento” do caso. Segundo uma nota oficial, o Executivo reiterou ainda a necessidade da idoneidade “das concessionárias, accionistas, administradores e principais empregados com funções relevantes nos casinos”, alertando que “contínua monitorização e supervisão será efectuada pela DICJ”.



